Máquina do Esporte
Facebook Máquina do EsporteTwitter Máquina do EsporteYoutube Máquina do EsporteLinkedin Máquina do Esporte

Análise: O abismo que separa a América do Sul da Europa

Nova Conmebol nada mais é do que o sapato velho do futebol da América do Sul embalado numa caixa nova

Erich Beting - São Paulo (SP) Publicado em 09/04/2019, às 08h00 - Atualizado às 11h00

Imagem Análise: O abismo que separa a América do Sul da Europa

A decisão da Conmebol de acabar com a exclusividade do Facebook na transmissão dos jogos da Libertadores revela quanto é falso o discurso de modernidade que a entidade sul-americana tenta implementar.

No ano passado, para tentar sair do buraco em que ela mesmo se meteu, a Conmebol anunciou um pacote de medidas que tinha como objetivo transformar a Libertadores num produto mais atrativo esportiva e comercialmente. O plano da entidade não foi nada além de copiar aquilo que deu certo na Liga dos Campeões da Uefa. Os direitos comerciais e de mídia do torneio passaram a ser vendidos por uma agência. E até mesmo o conceito de final em jogo único no fim de semana foi "importado".

Foi em meio a esse contexto que surgiu o acordo para que o Facebook tivesse o direito à transmissão de alguns jogos exclusivos na Libertadores. Até isso alinhava a Libertadores com a liga europeia. Mas de nada adianta pensar diferente se a pretensa modernidade for barrada a cada dificuldade que aparece em ações mais ousadas.

Em menos de dois meses, a Conmebol rasgou o contrato que tinha com o Facebook. Muito provavelmente, a entidade e os dirigentes de clubes atuaram contra a modernidade, alegando que o alcance da rede social era muito menor que o da TV.

Qualquer pessoa minimamente preparada sabe que essa migração de plataforma traz menor alcance de público, mas ao mesmo tempo assegura a aquisição de um novo público, mais jovem e mais engajado, para consumir as suas transmissões. Além disso, pelo acordo com o Facebook, os dados de quem assistiu ao jogo por ele estão todos disponíveis para consumo da Conmebol e dos clubes que disputam a partida.

Essa troca de informações, aliás, é o que seduziu as marcas aqui no Brasil a fazer uma limonada a partir do limão que foi a saída da TV aberta da Liga dos Campeões. Os europeus não vão nunca bater o pé contra o Facebook. Eles usam inteligência para ler os dados de usuários sul-americanos conectados no futebol do continente. Da mesma forma, os patrocinadores perceberam o quanto isso pode ajudá-los e, para ativar esses patrocínios, resolveram ampliar o alcance do Facebook para as pessoas.

O abismo que separa o futebol da América do Sul da Europa é gritante. Em pequenas coisas, como a inovação de levar para o streaming a transmissão de alguns jogos, é que percebemos o quanto ainda estamos distantes. A nova Conmebol nada mais é do que o sapato velho do futebol sul-americano embalado numa caixa nova.