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Análise: O posicionamento mais importante do jogo

Em sua coluna de estreia, Magic Paula fala sobre os desafios dos atletas em se posicionar politicamente

Paula Gonçalves* Publicado em 06/08/2018, às 07h12 - Atualizado às 10h12

Imagem Análise: O posicionamento mais importante do jogo

O que têm em comum nomes como Sócrates Brasileiro, Eric Cantona, Muhammad Ali-Haj e Bill Russell? São atletas que durante suas carreiras no esporte se posicionaram politicamente. Os casos recentes no exterior incluem astros como LeBron James e Dwyane Wade, entre outros, que em jogos da NBA em 2016 se manifestaram sobre questões raciais e o apoio ao movimento Black Lives Matter, nos Estados Unidos.

Os exemplos são marcantes, mas ainda poucos. Falo com conhecimento próprio quando digo que é um desafio se informar e se posicionar sobre temas relevantes durante a carreira esportiva, seja por conta das limitações de foco e tempo, seja por conta de pressões exercidas sobre os atletas, que por vezes temem represálias. Um temor real.

Ao mesmo tempo, os esportistas possuem poder de mobilização, são ouvidos por grande parte da sociedade que os admira por suas conquistas.

Foi pensando em como os atletas poderiam, usando a força de suas imagens, ajudar no desenvolvimento do país por meio de propostas concretas e uma atuação ética que, em 2006, um grupo capitaneado pelo Raí e com a ilustre participação do Sócrates fundou a primeira organização política de atletas e ex-atletas no mundo: a Atletas pelo Brasil.

Começamos atuando em causas como educação e oportunidade para juventude. Após o anúncio da Olímpiada no Brasil, focamos na busca de um legado social e esportivo. Hoje, somos mais de 60 associados que seguem inovando juntos e almejando que o esporte seja mais valorizado no país, trabalhando para melhoria da gestão esportiva, das políticas públicas e para que todos os brasileiros tenham acesso a atividade física, esse inigualável fator de desenvolvimento humano.

Em 2013, lideramos uma das conquistas mais transformadoras para o esporte nacional. Incluímos o artigo 18A na Lei Pelé, trazendo mecanismos de transparência e melhor governança para as entidades esportivas. Seguimos com o lançamento do Pacto pelo Esporte, primeiro acordo setorial no mundo entre patrocinadores do esporte. E em 2018 lançamos em conjunto com entidades esportivas e empresas patrocinadoras o Rating Integra.

Hoje aproveito a estreia deste espaço nobre, a coluna da Atletas pelo Brasil na Máquina do Esporte, para dizer que sem atuação da sociedade não há mudança.

Ainda temos muito no que avançar, mas os resultados já existem e comprovam que a atuação dos atletas pode ser chave para melhorias no esporte e no país. Essa é a maior vitória de todas.

* Paula Gonçalves é ex-jogadora de basquete, fundadora do Instituto Passe de Mágica e presidente da Atletas pelo Brasil