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Análise: Jogos Olímpicos mostrarão espírito do skate

Para Kelvin Hoefler, no skate, torce-se muito pelos próprios rivais, e isso será um ingrediente inédito na Olimpíada

Kelvin Hoefler, hexacampeão mundial de skate, especial para a Máquina do Esporte Publicado em 03/08/2020, às 09h51 - Atualizado às 12h51

Imagem Análise: Jogos Olímpicos mostrarão espírito do skate

Quero continuar andando de skate até quando minhas pernas não aguentarem mais. E neste momento que as pessoas do mundo inteiro estão com diversas privações, tenho a sorte de conseguir fazer o que mais amo: justamente andar de skate.

Consegui montar alguns obstáculos no quintal de casa e uso o tempo livre para me manter no ritmo, além de aprimorar o condicionamento físico. 

Certamente a rotina de todos nós atletas mudou muito com o cancelamento ou adiamento de várias competições pela pandemia. Entre elas, nada mais, nada menos que os Jogos Olímpicos. Estávamos tão próximos da data, mas agora temos de esperar mais de um ano, o que é ruim. Porém, também ganhei mais tempo de preparação.

Aproveito para agradecer ao banco BV, Bolsa Pódio, Monster Energy, Powell Peralta, Gshock, Hondar Bearings, meus patrocinadores que me dão tranquilidade neste momento de exceção que estamos vivendo

Os Jogos Olímpicos vão oferecer uma boa oportunidade para quem não conhece o skate poder saber a essência do nosso esporte. No skate, é muito comum torcer até mesmo pelos nossos rivais e acho que isso será um ingrediente inédito nos Jogos.

Torcemos porque sabemos como é difícil encaixar determinadas manobras. E quando isso acontece, todos ficamos felizes. Ainda mais por saber que existem manobras que só determinada pessoa consegue fazer. Ou que abre as portas para os outros tentarem, como é o caso do Bob Burnquist, que sempre inovou em sua carreira.

Mas mesmo em um ambiente altamente amistoso é necessário ser competitivo, obviamente. E devo muito disso a meu pai, que lá atrás, quando eu tinha apenas 13 anos, começou a me mostrar a importância de saber o que quero e ir atrás dos meus objetivos. Certamente isso ajudou na minha trajetória como atleta, nos meus seis títulos mundiais na modalidade Street e ser um dos candidatos a representar o Brasil nos Jogos em Tóquio.

Também costumo me espelhar em atletas de outras modalidades, como o Ítalo Ferreira, um grande exemplo de determinação no surfe. E sempre fui muito fã do Pelé. Toda vez que assisto seu filme ("Pelé Eterno") eu me emociono.

Agora que estamos com mais tempo livre do que o normal, espero que todos possamos refletir para que quando isso tudo acabar sejamos pessoas melhores. Precisamos dar mais valor a tudo o que está nos fazendo falta durante a pandemia.

*Kelvin Hoefler é skatista profissional