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Análise: Origem de patrocínio precisa ser bem estudada

Para Erich Beting, clubes correm risco ao se associarem sem olhar para história do parceiro

Erich Beting - São Paulo (SP) Publicado em 20/05/2019, às 08h27 - Atualizado às 11h27

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O projeto do Cruzeiro de criar uma liga de pôquer com a marca do time é interessante e pode, no final das contas, ser lucrativo não apenas para seu novo patrocinador, mas também para o próprio clube. Mas, e sempre tem um "mas", o clube precisa estudar com muito cuidado o movimento que fez.

O Comitê Olímpico do Brasil corre o risco de ter de arcar com uma dívida milionária com a Receita Federal por um patrocínio mal trabalhado pela extinta Confederção Brasileira de Vela e Motor nos anos 90. Após duas décadas, a Receita tem pressionado o COB a assumir a bronca pelo não-pagamento de impostos de um acordo com casas de bingo que patrocinavam os atletas da vela, naquela época os grandes responsáveis por medalhas olímpicas da delegação brasileira em disputas dos Jogos.

Para tentar resumir a história. A CBVM não pagou tributos sobre o patrocínio e, pior ainda, manteve uma fidelidade canina aos bingos, mesmo com o governo dando indícios de que a atividade deles seria muito em breve considerada irregular. Enquanto guerras de liminares mantinham as casas abertas, alguns atletas saiam em defesa da manutenção dos bingos e se recusavam a tirar o patrocínio de barcos.

Duas décadas depois dessa confusão, a conta chegou. Salgadíssima, em R$ 200 milhões. Hoje, a CBVM nem existe mais. Mas a Receita vai cobrar esse dinheiro.

A entrada de casas de apostas e empresas de jogos online no mercado brasileiro ainda não está regulamentada, mas já foi permitida por lei. Com isso, as marcas do segmento, que antes se apoiavam na brecha da lei para atuar apenas com publicidade em veículos de mídia, começaram a entrar com mais vigor no mercado de patrocínio. O movimento feito pelo Cruzeiro nessa história é pioneiro. Mas, se não estiver juridicamente muito bem protegido, pode vir a se tornar uma enorme dor de cabeça.

Na Inglaterra, as próprias empresas de apostas começaram a questionar o quanto a propaganda desenfreada para as pessoas jogarem não tem gerado um comportamento compulsivo nos apostadores e criado um problema de saúde para o país. Com isso, diversas travas e amarras para a publicidade e o patrocínio começam a ser criadas.

Por aqui, nem voltamos a permitir as apostas de fato e o mercado começou a já projetar algumas ideias revolucionárias que podem, por isso mesmo, serem rapidamente proibidas. A origem de um patrocínio precisa ser estudada com muita cautela. Do contrário, em vez de solução, ele pode se tornar um problema para o patrocinado.