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Análise: Patrocínio não é vilão das estatais

O que trava investimento é insistência da empresa pública em não dizer que o esporte serve para gerar negócios

Erich Beting - São Paulo (SP) Publicado em 17/04/2019, às 07h46 - Atualizado às 10h46

Imagem Análise: Patrocínio não é vilão das estatais

Na semana passada, ao levantarmos a bandeira contra o descaso que a Caixa vinha fazendo sobre os compromissos assumidos no esporte, recebi algumas ligações de pessoas na indústria surpresas com a atitude que tomamos em relação aos episódios. Discurso de campanha do presidente Jair Bolsonaro durante as eleições, o inchaço da máquina pública realmente é um mal que precisa ser combatido. Mas será que o esporte é o vilão das empresas estatais?

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Há cerca de 200 anos no Brasil, quando D. João VI decidiu vir para cá para não perder o trono (e a cabeça) para a França de Napoleão Bonaparte, inchamos a máquina pública com quase 2% da população de Portugal. Desde então, nos acostumamos a ter um serviço público inchado e ineficiente, típico das altas cortes decadentes da Europa. O problema é que os dirigentes das estatais, inflados pelo discurso da presidência em campanha eleitoral, confundiram corte de gastos com descumprimento de contratos. E o esporte, nesse caso, pagou uma conta que não deveria ter sido dele.

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O segundo ponto que serve para discussão é o quanto a estratégia de patrocínio da Caixa não foi benéfica. Em quase todos os contratos, a estatal assumia a conta das instituições patrocinadas. Isso significava um aumento de receita para o banco.

Curiosamente, essa é uma prática muito comum entre as empresas privadas que decidem investir no esporte, mas que parece ser vista como algo proibido quando o assunto é a verba pública. E isso ajuda a complicar ainda mais a vida dos patrocínios estatais. Porque, no discurso, a verba que a Caixa investe no setor passa a ser vista como simples mecenato, e não como um negócio em si. É por isso que, numa de suas primeiras entrevistas, o ministro Paulo Guedes disse que havia coisa melhor a fazer com o dinheiro que a Caixa destinava para as entidades esportivas.

Só que o esporte e o patrocínio no esporte não podem ser encarados como vilões da ineficiência das estatais. Num segmento de alta competitividade como é o bancário, ter o esporte como plataforma de comunicação é um grande diferencial. Quando, além de usar o patrocínio para o marketing, o banco consegue transformá-lo num negócio que rende dinheiro, não tem por que considerar que o investimento é errado.

É só ver como a saída da Caixa tem sido compensada com a entrada de novos bancos com metas claras de abertura de novas contas e geração de negócios para perceber que, no fim das contas, a empresa perderá muito ao deixar esse investimento.