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Análise: Preço é, de novo, vilão no Brasil

Público quer ver a Copa América e a seleção, mas o preço dos ingressos está completamente fora da realidade

Duda Lopes - Boston (EUA) Publicado em 17/06/2019, às 08h33 - Atualizado às 11h33

Imagem Análise: Preço é, de novo, vilão no Brasil

Poucos fatores estão tão equivocados no esporte brasileiro quanto a precificação de ingressos. Parece que é uma questão de dias para o assunto voltar à tona, sempre com o mesmo problema. E com a clara impressão de que esse é um segmento com bastante dificuldade em aprender com os erros.

O caso mais recente envolve a seleção brasileira e a Copa América. É uma sucessão de jogos que deveriam corar os dirigentes. O time nacional chegou a jogar para 16 mil pessoas em amistoso disputado no Beira-Rio. Uma semana depois, em embate que inaugurou a Copa América, o time nacional não foi capaz de lotar o Morumbi: foram 20 mil ingressos que acabaram não sendo comercializados aos torcedores.

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A primeira impressão é de que há pouca atratividade no torneio e no time. Mas há um grande fator que deixa claro que essa não é a questão: a audiência na televisão. Nos dados preliminares, há a indicação de um Ibope de 33 pontos em São Paulo na sexta-feira (14) à noite, um número bastante expressivo; foi mais alto que a novela das 21h da Globo, por exemplo.

Quanto à Copa América, um caso interessante marcou o último fim de semana: foram quase 20 mil pessoas no Maracanã para assistir ao jogo entre Qatar e Paraguai, uma amostra de que o público tem uma disposição considerável para acompanhar uma partida do torneio sul-americano.

Mas é surreal alguém imaginar que essa atratividade iria superar a sensibilidade ao preço. Com tíquetes a R$ 120 no mínimo, apenas 13 mil pessoas assistiram à dupla uruguaia Suárez e Cavani no Mineirão. Certamente constrangedor a ambos.

Normalmente, a justificativa é a renda alta, o que costuma acontecer. Mas é um dos modos mais míopes de trabalhar com o futebol. Para começar, a imagem de estádio completamente vazio, como foi o caso do Mineirão, é um ruído enorme para uma competição que quer ganhar mais valor com público e patrocinadores.

Além disso, entende-se que o alto valor do ingresso passa a sensação de exclusividade, mas é exatamente o contrário. É a escassez de entradas que torna um evento mais interessante para público e patrocinadores. Com uma partida extremamente popular, todos querem estar lá, e o tíquete se torna um item realmente desejado.

A seleção brasileira e a Copa América são bons produtos, que geram enorme interesse do público. Os preços recentes, no entanto, bloqueiam a possibilidade de acesso a eles. É uma estupidez muito difícil de ser compreendida.