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Análise: Privatizar o Pacaembu é piada sem graça dos paulistanos

Para Erich Beting, estádio não tem mais eventos suficientes para ser sustentável

Erich Beting - São Paulo (SP) Publicado em 29/01/2018, às 09h00 - Atualizado às 11h00

Imagem Análise: Privatizar o Pacaembu é piada sem graça dos paulistanos

A privatização do estádio do Pacaembu é uma das maiores piadas sem graça produzidas pelo povo paulistano - e olha que somos especialistas em gourmetizações de todos os tipos!

Em 2010, o Corinthians havia apresentado aos vereadores paulistanos um projeto para assumir, durante 20 anos, a gestão do estádio municipal. O clube pagaria R$ 200 milhões pelo uso, modernizaria o espaço e arcaria com o ônus e o bônus de se tornar o primeiro dono privado do Pacaembu.

Insuflados pelos egos de torcedores rivais, os vereadores optaram por jogar para a torcida - ou contra ela - e negaram a proposta, argumentando que a prefeitura não poderia se desfazer de um patrimônio como o Pacaembu.

Pois bem. Sete anos depois, os vereadores aprovam, numa agressiva leva de privatizações do prefeito político que tenta se vender contra a política, incluir o Pacaembu na lista. Um estádio que, hoje, não tem mais um cliente cativo como foi o Corinthians até 2014. Um local que foi totalmente entregue e abandonado pela atual prefeitura, que vem fazendo isso em toda área pública que quer privatizar.

Como fechar a conta no Pacaembu sem shows para realizar (vetado por lei pelos moradores do bairro) e, também, sem time para poder jogar lá?

Pior ainda é que a prefeitura poderá usar o estúpido argumento de que o Santos faz 10 a 15 jogos no ano por lá.

Qualquer gestor de arena sabe que, para o negócio gerar lucro, é preciso ter pelo menos 40 a 50 grandes eventos ao longo de um ano. Privatizar o Pacaembu, agora, é simplesmente atentar contra a cultura do próprio país. Algo que, ao que tudo indica, não faz parte da lista de preocupações da atual prefeitura.