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Análise: Saída da Caixa deixa mercado mais plural

Sem aporte garantido, times terão que sair da zona de conforto que estatal promoveu nos últimos anos

Duda Lopes - Boston (EUA) Publicado em 27/12/2018, às 08h14 - Atualizado às 10h14

Imagem Análise: Saída da Caixa deixa mercado mais plural

Cada dia estão mais fortes as evidências de que a Caixa deverá, de fato, se retirar do futebol. Ou, no mínimo, diminuir os investimentos no esporte. Nos últimos anos, foram milhões colocados em times de futebol, com acordos que muitas vezes estavam acima do que o mercado estava disposto a pagar. Logo, é perfeitamente compreensível que os times sofram em 2019.

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Mas, a longo prazo, a saída da Caixa deve ser positiva para o mercado esportivo. A começar pela entrada de novas marcas no futebol. Atualmente, a Série A do Campeonato Brasileiro está praticamente fechada com empresas do setor financeiro, nos aportes másteres, e a Caixa é a líder entre as companhias, com 12 clubes.

Em 2012, antes de a Caixa entrar em peso no futebol, a Série A contava com 13 empresas diferentes no espaço principal das camisas dos times. Havia marcas de seguradora, como a Unimed; de automóvel, como a Kia; de eletrônicos, como a Semp Toshiba; entre outros segmentos.

Neste ano, foram apenas cinco marcas nos aportes másteres. Não é algo natural no mundo dos negócios do esporte; em nenhuma grande liga do mundo há tamanho domínio de uma única empresa.

Com a segurança da presença da Caixa, que paga bem, há uma certa acomodação geral. Isso pode ser visto na pobreza de ativação que impera no futebol nacional. A estatal, com ampla exposição garantida, fez menos do que poderia para movimentar o investimento aos clubes. E as agremiações também tinham pouca preocupação em tornar o patrocínio mais atraente ao parceiro fiel.

No fim das contas, o que se viu no mercado de patrocínio ao futebol foi uma estagnação. Ela não foi geral porque em outras propriedades houve, sim, ações por parte de clubes e empresas, seja com benefício direto aos torcedores ou com comunicação nas redes sociais. Mas deveria estar no patrocínio máster a fonte de maior movimentação no mercado, justamente por ser o aporte mais valioso de um clube.

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Se não surgir um mecenas no futebol, a tendência é de que os clubes passem a receber menos pelo aporte máster num primeiro momento. Mas, sem a zona de conforto, é natural que, neste cenário de maior profissionalização do esporte, clubes passem a oferecer mais, e as empresas passem a mirar retornos maiores. E, nesse caminho, o negócio do esporte fica mais salutar, mais sustentável. Como consequência natural, a propriedade ficará mais valorizada no mercado nos próximos anos.