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Análise: TJD-SP mostra como é fácil jogar contra

Frases do presidente do órgão são inadmissíveis; gestores fazem pouco para garantir segurança no futebol

Duda Lopes - Boston (EUA) Publicado em 12/04/2019, às 07h45 - Atualizado às 10h45

Imagem Análise: TJD-SP mostra como é fácil jogar contra

O jurídico do Corinthians resolveu tomar uma medida radical para garantir a segurança dos seus jogadores: mandou um comunicado à Polícia Militar, ao promotor Paulo de Castilho, à Federação Paulista de Futebol (FPF) e ao São Paulo para avisar que não entrará em campo caso o ônibus do time seja alvejado no próximo domingo (14), na chegada ao Morumbi, estádio do rival na final do Paulistão.

A medida pode parecer exagerada, mas basta lembrar a final da última Libertadores para saber que não é. O episódio de violência tem se repetido no Morumbi e, em 2018, um vidro foi quebrado ao lado de membros da comissão técnica do time. O comunicado é uma forma de pressão para que medidas sejam tomadas e nada dê errado.

Razoável, não? Pois o presidente do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD-SP), Antonio Olim, não achou. Segundo o dirigente, o Corinthians tem que entrar em campo. Caso contrário, perderá o jogo por W.O.. E soltou a seguinte frase ao "Estado de S. Paulo": "É W.O.. A não ser que aconteça um baita desastre, se machuque gente... Mas duvido que o Corinthians não conseguirá chegar ao estádio".

Ou seja, segundo uma das pessoas que deveria prezar pela segurança no futebol, só é problema se acontecer uma tragédia. Se houver chuva de pedra no ônibus de uma das equipes, aí é apenas "uma guerrinha entre times", nas palavras de Olim.

Antonio Olim, por sinal, é um especialista em falar muito mais do que deve. Somente neste ano, na condição de presidente do TJD-SP, ele já mandou o Palmeiras "parar de chorar". Poucos dias depois, afirmou que não aguentava mais o clube, e que faltaria "competência, força e garra" à equipe do Palestra Itália.

É difícil pensar em coisas menos adequadas para alguém na posição dele dizer. A presença de Olim é um exemplo claro do quanto a gestão do esporte pode jogar contra a própria indústria. É um conjunto de frases catastróficas, com ações inócuas, que só colocam o mercado em uma condição cada vez mais complicada. Agora, fica apenas a dúvida: se algo acontecer no domingo, quem será responsabilizado? Apostaria que nem torcedores nem organizadores terão que responder pelos atos.

Antonio Olim é delegado e, atualmente, é deputado estadual pelo Partido Progressista (PP). Ironicamente, ganhou fama na política sob a bandeira da segurança pública. Como chegou ao esporte, não sei dizer. Mas, na função atual, é um símbolo de gestão pouco profissional e pouco comprometida com o desenvolvimento desse mercado.