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Análise: VAR não pode ter protagonismo

Árbitro de vídeo precisa de alterações no futebol para ser de fato atrativo ao torcedor e aos patrocinadores

Duda Lopes - Boston (EUA) Publicado em 01/04/2019, às 07h47 - Atualizado às 10h47

Imagem Análise: VAR não pode ter protagonismo

A implementação de assistência de vídeo no futebol era um antigo pedido de quem acompanhava o esporte. Realidade em diversas outras modalidades, do tênis ao futebol americano, não havia motivo para o atraso ser mantido. Mas, quando finalmente ele entrou no gramado, o resultado foi mais polêmica. E, se for assim, será pior para torcedores, campeonatos e patrocinadores.

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Aparentemente, o Brasil tem usado mal o sistema. Há dois problemas centrais. O primeiro, claro, é a permanência de erros, como aconteceu recentemente no Campeonato Carioca e como já havia acontecido na decisão da Copa do Brasil de 2018. Parece que a implementação não teve critérios bem definidos e que a arbitragem de forma geral não sabe como lidar com as novas informações. O resultado é inadmissível.

O segundo ponto está na demora das decisões, especialmente em lances-chave. Além do tempo maior de bola parada, a espera para a confirmação de um gol é uma agonia para os torcedores. Não tem sentido que a experiência e a emoção do torcedor sejam prejudicadas pela implementação de uma nova tecnologia.

O resultado é ruim para todos. Em fevereiro deste ano, a CBF anunciou o VAR como uma medida para aumentar a credibilidade do Campeonato Brasileiro. Mas, como tem sido usado, ele apenas deixa o produto menos atraente e ainda mantém as velhas polêmicas de arbitragem. Está claro que o uso da tecnologia não é simples.

Pelos patrocinadores, fica um cenário nebuloso. Primeiro, pela questão da visibilidade limitada. No mundo ideal, a aparição do VAR deveria ser uma grande exceção. E, se aparecer, tem que estar ligado à solução dos problemas em campo, não a novos erros. Não faz sentido associar a marca a um sistema que não resolve os problemas e ainda tira um pouco da emoção do assistir ao futebol.

O ideal seria o uso de tecnologia exclusivamente para fatos objetivos. É o caso do sistema que indica a entrada ou não da bola no gol. Enquanto não é possível algo do tipo para a marcação de um impedimento, a tecnologia, com o vídeo, deveria ser usada apenas em casos extremos. E, para isso, não convém ter um patrocinador específico para a ferramenta, como bem determinou a Fifa na última Copa.

O VAR chegou para ficar, não há dúvida. Mas há outros detalhes para torná-lo mais atrativo, como imagens no telão e áudio público. São métodos usados em outros esportes e que podem fazer do árbitro de vídeo mais amigável ao futebol.