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Análise: Vitória do Bayern é exemplo para futebol

Bayern se mantém como clube, com estrutura altamente profissional e com projeto sustentável em longo prazo

Duda Lopes - São Paulo (SP) Publicado em 25/08/2020, às 08h00 - Atualizado às 11h00

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Quando o Bayern conquistou a Liga dos Campeões no domingo (23), venceram também vários bons exemplos para o futebol. De modelo de gestão ao modo como se comportar em campo, o título para os alemães representa a coroação de um negócio mais saudável e sustentável, em comparação a diversos rivais, em especial o Paris Saint-Germain.

Para começar, há a vitória de um clube nos moldes mais tradicionais, com gestão centrada no próprio clube, sem estrutura de dono. Aliás, dos últimos dez campeões, oito foram de equipes com esse modelo, graças ao domínio de Real Madrid, Barcelona e o próprio Bayern. Uma clara demonstração de que gestão profissional não tem relação com uma administração de empresa.

O gol do título, por sinal, é uma amostra que, por vezes, a experiência e as prioridades de um clube tradicional são mais efetivas que a urgência de um grande investidor. Kingsley Coman era da base do PSG, assim como Müller e Alaba eram do time alemão. Mas os franceses não tiveram tanta paciência e foram duramente punidos pela bola.

Outra questão relevante passa pelo calendário mais ameno da Alemanha. Entre os times que estavam em Lisboa, Bayern e PSG tinham menos de 50 partidas na temporada, mas os franceses só conseguiram esse número porque a Ligue 1 foi cancelada. Hoje, a maratona de jogos é cruel em países como Espanha e, principalmente, Inglaterra. Na Alemanha, pode não ser o ideal, mas há mais tempo para as equipes.

O calendário mais ameno é algo fundamental para fazer um produto melhor. O modo como o Bayern se apresentou, com marcação alta e time sempre compacto, encantou torcedores de todo o mundo. Isso é fruto de uma maturidade tática grande no futebol praticado na Alemanha e só é possível com um nível mínimo de treino e, claro, descanso para manter tal intensidade.

Foi fantástico acompanhar a Liga dos Campeões com tantas novidades, mas a verdade é que o excesso de investidores solitários em equipes menores é preocupante. Em parte, por essa pressa que torna o futebol tecnicamente menos envolvente, em parte porque são negócios sem nenhuma sustentabilidade. Seja o governo de um país árabe, seja uma empresa de bebidas, eles não são eternos. Os grandes clubes são aqueles que ficam.