C13 decide manter exclusividade na TV aberta

Fábio Koff, reeleito neste ano para presidir o C13: grupo foca TVs

Fábio Koff, reeleito neste ano para presidir o C13: grupo foca TVs

Nada de jogos divididos entre duas ou mais emissoras. Nada de ampliar o número de partidas transmitidas. O Clube dos 13, que atualmente está em fase final de um estudo para licitar os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de futebol entre 2012 e 2014, já definiu que manterá o modelo de venda com exclusividade a apenas uma emissora em TV aberta. A concorrência ainda não tem data para acontecer, mas a expectativa é que seja realizada ainda neste ano.

A decisão do Clube dos 13 é, na verdade, uma valorização de outras mídias. A entidade que representa as 20 principais equipes do país aposta em um desdobramento de propriedades para obter incremento contundente na arrecadação para o próximo contrato.

Além disso, significa aposta do C13 no faturamento com PPV. Neste ano, a receita do grupo com jogos nesse formato chegou a R$ 200 milhões, R$ 50 milhões a menos do que a entidade recebe na TV aberta. A previsão da entidade é que a situação se inverta ainda em 2011 – os clubes recebem 38% do faturamento bruto da venda.

“Eu preciso aproveitar o que o mercado me oferece de bom. Hoje eu não tenho mais o sofrimento de ter só um player. E, graças à decisão que o Cade tomou recentemente, eu não estou mais amarrado”, ponderou Ataíde Gil Guerreiro, diretor-executivo, de relações institucionais e de marketing do Clube dos 13.

Em outubro deste ano, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) emitiu parecer favorável a um pedido do C13. A decisão do órgão derrubou o direito de preferência da TV Globo na renovação dos direitos do Campeonato Brasileiro e obrigou a realização de licitação com envelopes fechados – anteriormente, o canal carioca tinha direito de ver a melhor proposta que o grupo havia recebido e decidir se cobriria o valor.

O termo de cessão de conduta (TCC) do Cade ainda estipulou que todas as propriedades do Campeonato Brasileiro deveriam ser vendidas separadamente. Isso corrobora decisão do Clube dos 13, que pretende fatiar e aumentar a quantidade de mídias vendidas.

“Depois que o Cade emitiu a decisão, publiquei um anúncio com o parecer em dois jornais e esperei. Todo mundo veio me procurar, e a única coisa que eu pedi é que só aceitaria conversar com presidente de empresas e só na minha sala. Quando eles foram, eu disse que queria aprender. O primeiro passo foi entender quais são as novas oportunidades. Nós podemos vender até figurinhas eletrônicas oficiais”, explicou Gil Guerreiro.

O contrato atual do Clube dos 13 coloca, por exemplo, propriedades como internet e games na mesma venda da TV aberta. A ideia do grupo é fazer licitações diferentes para cada uma dessas propriedades, seguindo o mesmo processo em todas.

O Clube dos 13 também procurou as cinco maiores empresas de auditoria do mundo (KPMG, Deloitte, Pricewaterhousecoopers, Arthur Andersen e Andersen Young) para fazer uma concorrência e definir qual delas acompanhará a licitação dos direitos.

Além de ser feita com envelopes fechados, a licitação terá como base um contrato fechado. O documento já está pronto, será apresentado às TVs e exigirá adaptação delas ao formato desejado pelo C13.