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Corinthians, Palmeiras e São Paulo se unem pela mulher em SP

Clubes assinaram acordo de cooperação e participarão do programa Tem Saída

Redação - São Paulo (SP) Publicado em 21/01/2019, às 13h59

Imagem Corinthians, Palmeiras e São Paulo se unem pela mulher em SP

Os três grandes times de futebol da capital paulista, Corinthians, Palmeiras e São Paulo, foram convidados pela Prefeitura de São Paulo e concordaram em participar do programa Tem Saída, lançado no ano passado. O Trio de Ferro assinou um acordo de cooperação com as Secretarias de Desenvolvimento Econômico e de Direitos Humanos e Cidadania com o intuito de ampliar o alcance do programa.

Criado há cinco meses, o Tem Saída tem como objetivo oferecer autonomia financeira, por meio da geração de emprego, às mulheres vítimas de violência doméstica, para que elas tenham a possibilidade de não depender economicamente do agressor. O programa já atendeu centenas de mulheres e já empregou dezenas de pessoas nas empresas parceiras. Agora, espera crescer ainda mais, com a visibilidade gerada pelo futebol.

São Paulo utilizou logotipo do programa na camisa na estreia do Paulistão (Foto: Rubens Chiri / Site (saopaulofc.net))

"A união de Corinthians, Palmeiras e São Paulo mostra a relevância desse tema para a sociedade. Com essa parceria, esperamos sensibilizar parte da sociedade nessa transformação cultural, encorajar mais pessoas a denunciarem seus agressores e dar uma nova perspectiva de vida a essas mulheres", afirmou Aline Cardoso, secretária de Desenvolvimento Econômico de São Paulo.

As mulheres da Capital paulista que denunciam seus agressores no sistema judiciário e informam que necessitam de um emprego entram para o Programa Tem Saída. Elas recebem um documento de encaminhamento ao Centro de Apoio ao Trabalho e Empreendedorismo (CATe), órgão ligado à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, onde são atendidas com prioridade para uma entrevista de emprego em uma das empresas parceiras do programa.

"É importante usarmos essa gigantesca capacidade de mobilização que os clubes possuem na esfera esportiva para atuarmos também como agentes transformadores da sociedade. Além de colaborarmos efetivamente com o programa oferecendo vagas às mulheres vítimas de violência, esse movimento conjunto também nos permite chamar a atenção da sociedade para o tema", declarou Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, presidente do São Paulo.

"O futebol é um grande agente de transformação social, e o Palmeiras se sente na obrigação de participar das mudanças que visam melhorar a vida da nossa comunidade e dos nossos 16 milhões de torcedores. A violência contra a mulher é um problema intolerável e deve ser combatido com iniciativas do poder público, como o Tem Saída, e o apoio da sociedade civil", disse Paulo Buosi, presidente em exercício do Palmeiras.

"O Corinthians é um dos clubes pioneiros na defesa intransigente da mulher, e a reunião de diversas bandeiras em torno do tema demonstra que estávamos certos ao lançar a campanha #RespeitaAsMinas. É muito importante iniciativas do poder público, como o programa Tem Saída, que ajuda essa mulher vítima de violência a conquistar sua autonomia financeira e seguir em frente", comentou Andrés Sanchez, presidente do Corinthians.

Entre as ações que serão executadas pelos clubes e os órgãos municipais estão a divulgação de um manifesto conjunto publicado na internet, a exposição de informações referentes à violência que a mulher sofre para sensibilizar os torcedores e a promoção da logomarca do programa Tem Saída nos formatos on-line e off-line.

Além de dar o apoio na divulgação, sensibilizando os torcedores para essa causa, os clubes também irão disponibilizar vagas de emprego a mulheres atendidas pelo Tem Saída. O São Paulo chegou a colocar o logotipo do programa em destaque na camisa durante a estreia do time no Paulistão no último sábado (19).

"Esta parceria só pode trazer benefícios, já que uma das maiores dificuldades para as vítimas de violência doméstica é conseguir enxergar a possibilidade de romper este ciclo. Muitas mulheres passam anos sendo agredidas por medo de perderem os filhos, de não terem como se sustentar, e até mesmo por não conseguirem compreender que o relacionamento em que estão é abusivo. Mostrar que isso é errado, e oferecer apoio e possibilidade de renda a essas mulheres são etapas primordiais: a partir do momento em que as vítimas entendem que podem e devem viver sem depender do agressor, o ciclo de violência começa a ser interrompido", resumiu Berenice Giannella, secretária de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo.

Atualmente, o Brasil ocupa a quinta posição no ranking de feminicídio mundial, atrás apenas de El Salvador, Guatemala, Colômbia e Rússia. De acordo com dados de entidades ligadas a segurança, a cada 15 segundos uma mulher sofre agressão e a cada duas horas uma mulher é assassinada no Brasil.