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Eliminatórias começam com apagão na TV

Modelo de venda descentralizado faz torneio perder espaço na mídia

Erich Beting - São Paulo (SP) Publicado em 08/10/2020, às 06h58 - Atualizado às 03h01

Imagem Eliminatórias começam com apagão na TV

O futebol sul-americano começa a decidir, nesta quinta-feira (8), os classificados para a Copa do Mundo de 2022, no Qatar. Só que o início das Eliminatórias da Conmebol não poderia ser mais emblemático. Sem a venda centralizada dos direitos de transmissão do torneio, as duas primeiras rodadas já correm o risco de ter um "apagão" na mídia, pelo menos no Brasil.

Até agora, apenas o Grupo Globo comprou os direitos de transmissão do torneio para o território. E, mesmo assim, valendo-se da negociação individual, terá só as seleções de maior prestígio: Argentina e Brasil. Isso significa que as nove partidas que cada uma das seleções realizar em seu território serão mostradas pela Globo.

Brasil e Argentina são os únicos times com transmissão vendida para o país - Foto: Getty Images

Isso já vale nesta primeira rodada. O Sportv transmitirá Argentina x Equador a partir das 20h30 desta quinta-feira e, na sexta, Brasil x Bolívia irá ao vivo também na Globo. Na segunda rodada, porém, nenhum jogo tem previsão de ser exibido.

O que causou a situação inédita no mercado foi a mudança na forma de venda dos direitos por parte da Conmebol após o escândalo do Fifagate. Em 2015, com a delação premiada de J. Hawilla, o esquema de desvio de verbas envolvendo a compra de direitos de transmissão via a agência Full Play foi descoberto. Como os direitos para as Eliminatórias da Copa de 2018 já estavam vendidos naquela ocasião, a Conmebol manteve os acordos vigentes e não alterou os acordos.

Para 2022, as federações nacionais pressionaram para realizar a venda individualmente, a exemplo do que acontece no Campeonato Brasileiro. Só que, como a Conmebol faz valer o direito de mando de campo para a venda, Brasil e Argentina conseguiram negociar rapidamente seus pacotes. A CBF centralizou a venda dos jogos brasileiros por meio de um leilão, enquanto a AFA terceirizou para a agência Torneios os direitos de comercialização. As demais seleções, após o fracasso nas negociações individuais, decidiram se juntar e vender em bloco os direitos que envolvem, pelo menos, o jogo que cada uma delas faz contra o Brasil. Até agora, porém, nenhuma emissora se interessou em pagar US$ 1 milhão por partida.

Segundo o "UOL", um acordo-tampão com a plataforma de streaming paga Guigo TV está sendo costurado para as duas rodadas inaugurais do torneio. O contrato, porém, não foi assinado e, até agora, nenhuma entidade esportiva confirmou o acerto. Se as federações não aceitarem o que pede a Globo pelos direitos, a chance de as Eliminatórias começarem às escuras no mercado brasileiro é grande.