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Em litígio com a Globo, Atlético-PR burla a lei e exibe final paranaense nas redes sociais

Campeão paranaense usou YouTube e, depois, Facebook do próprio clube para exibir jogo que ninguém poderia

Redação - São Paulo (SP) Publicado em 09/04/2018, às 12h56

Imagem Em litígio com a Globo, Atlético-PR burla a lei e exibe final paranaense nas redes sociais

A queda de braço entre Atlético-PR e Globo teve mais um capítulo neste final de semana. O clube paranaense decidiu, sem o aval da Globo, do adversário, o Coritiba, e da Federação Paranaense de Futebol, transmitir a segunda partida da final do Estadual no próprio canal do YouTube e, depois, na própria página no Facebook.

Segundo o presidente do Conselho Deliberativo do Atlético-PR, Mário Celso Petraglia, a transmissão foi uma espécie de protesto contra a Globo. A transmissão, porém, não estava autorizada, uma vez que não havia direitos sobre a exibição do jogo de nenhuma das partes, tanto que a emissora não colocou o jogo no ar.

A partir do instante em que o jogo começou a ser transmitido via YouTube, a Globo reivindicou a ausência sobre os direitos autorais do Atlético e conseguiu fazer com que a transmissão fosse interrompida. Mais tarde, no entanto, a transmissão voltou, dessa vez no Facebook, mantendo a irregularidade.

A página do Atlético-PR, que teve transmissão da final bloqueada pelo YouTube.

Foto: Reprodução

"Entendemos que era um direito nosso e lamentavelmente a concessionária da Globo, a RPC, nos tirou do ar. Voltamos mais tarde, por um outro canal (o Facebook), e terminamos a nossa transmissão. Pode parecer oportunismo da minha parte em razão da vitória, mas o nosso trabalho é quebra de paradigmas", afirmou Petraglia ao “UOL”.

A decisão surpreende, uma vez que o Atlético sempre usou a seu favor a legislação para manter uma postura diferente na discussão de direitos de transmissão. No ano passado, o clube havia feito, com o Coritiba, um protesto contra o valor oferecido pela RPC, afiliada Globo em Curitiba, e não vendido os direitos de transmissão do Paranaense. Assim, os dois clubes fizeram a transmissão da final do Estadual pelo YouTube e Facebook. Neste ano, sem ter o Coritiba ao lado, o clube teria de se conformar em não ter o jogo decisivo televisionado.

A atitude de Petraglia segue um ataque que ele vem fazendo contra os clubes e os acordos de televisão fechados para o Brasileirão de 2019 - o Atlético tem acerto com o Esporte Interativo para a TV fechada e não aceitou a propsosta da Globo para a TV aberta.

Na última sexta-feira (6), em entrevista ao canal oficial do clube, o dirigente já havia criticado veementemente os quatro grandes clubes de São Paulo (Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo) e do Rio de Janeiro (Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco) e também a divisão de cotas e a imprensa. Primeiro, Petraglia detonou os cariocas.

"No Brasil, a imprensa, a mídia, considera 12 clubes. Nós não temos um passado de Nilton Santos, de Didi, de Garrincha. Num estado que não tem tradição desportiva, não só no futebol. Não sendo maior, temos que procurar ser o melhor. Como estão os quatro do Rio? Menos o Flamengo, que está aí num projeto de reestruturação, pagando o passado. Mas não tem estádio, não tem centro de treinamento para o profissional. Os outros três, sem demérito nenhum, são instituições centenárias que ajudaram o futebol brasileiro, mas numa análise atual, o Vasco, por exemplo, São Januário acabou. Política, econômica, financeira e patrimonialmente (destruído). Não entendemos e não nos conformamos em ganharmos menos que aqueles clubes que nós superamos, ultrapassamos. Pega o Botafogo: tem história para contar, mas não tem presente. Então ficam pagando para eles pelo passado. E quem começou agora? Morre pária? É contra esse cartel que luto", vociferou o dirigente.

Depois, o canhão foi apontado para os paulistas.

“O Corinthians está com problemas seríssimos. O Santos é um clube do interior, com todo respeito ao grande Pelé, e hoje o Santos é muito mais o Santos do Pelé, do que o Pelé do Santos. O São Paulo perdeu o trem-bala da Copa do Mundo e perdeu-se. Tem o Morumbi, que precisa ser reformado. Tem um CT muito bom, mas é separado. O Palmeiras é uma grande instituição também, tenho grandes amigos lá, vem numa recuperação grande, mas me parece uma Unimed no Fluminense (sobre o acordo de patrocínio com a Crefisa). De repente, foi embora, porque não lhe convinha mais a parceria, e aí?”, concluiu Petraglia.