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Candidatura de Qatar a sede de Mundial de atletismo tem novos indícios de corrupção

Filho de presidente da Iaaf teria pedido dinheiro para ajudar Doha a ganhar concorrência para competição

Adalberto Leister Filho - São Paulo (SP) Publicado em 11/12/2014, às 09h22 - Atualizado às 11h22

Imagem Candidatura de Qatar a sede de Mundial de atletismo tem novos indícios de corrupção

Delegação do Qatar festeja vitória na eleição para Mundial-2019

O filho de Lamine Diack, presidente da Iaaf (Associação Internacional das Federações de Atletismo) pediu um pagamento de US$ 5 milhões durante a tentativa fracassada de Doha ganhar o direito de sediar o Mundial de 2017 de acordo com e-mails que foram vazados para o diário britânico The Guardian. A capital do Qatar acabou conquistando o direito de abrigar o evento em 2019.

O e-mail, que seria de Papa Massata Diack, consultor da Iaaf, pedia o pagamento de US$ 4,5 milhões via transferência bancária e mais US$ 440 mil em dinheiro a ser pago pessoalmente em Doha, em outubro de 2011. Não está claro se o pagamento foi realizado.

Como defesa, a Iaaf divulgou que não foi assinado nenhum contrato entre ela e as empresas estatais do Qatar QSI ou Oryx QSI, nem qualquer outra empresa do país, naquele período. De acordo com a assessoria de imprensa da entidade, Papa Massata havia negado ter “recebido qualquer pagamento ou agido em nome da Iaaf”.

O e-mail vazado ao jornal britânico foi enviado um mês antes do prazo final de apresentações das propostas para 2017, em eleição na qual Doha perdeu para Londres. No entanto, a capital qatari acabaria triunfando na concorrência pelo Mundial seguinte, em 2019. A mensagem também continha uma carta do então diretor comercial da Iaaf, Luis Carulla, confirmando que Papa Massata tinha sub-licenciado da entidade os direitos de comercialização exclusivos do torneio, incluindo para o Qatar.

Questionada pelo jornal, a federação qatari de atletismo se esquivou de comentar o caso. “Nós vencemos [a concorrência para o Mundial de 2019] porque fizemos a oferta mais forte, com instalações de nível mundial para atletas e visitantes, bem como pela oportunidade de expandir os horizontes do esporte para uma nova parte do mundo.”

Os e-mails obtidos pelo The Guardian cobrem o período de 2008 a 2011. Nesse período, Doha concorria aos Jogos Olímpicos de 2020, vencidos por Tóquio, e o país buscava sediar a Copa do Mundo de 2022, disputa em que acabou triunfando.

A Pamodzi Sports Marketing, empresa fundada por Papa Massata Diack, já esteve envolvida em investigações da Polícia Federal sobre a venda de ingressos de hospitalidade na Copa do Mundo do Brasil-2014. Em sua defesa, na época, Papa Massata disse que os bilhetes que acabaram nas mãos de cambistas tinham sido comercializados pelo braço nigeriano da empresa, com o qual ele não estava envolvido.

Com função estranha para quem é filho do presidente da Iaaf, Papa Massata atua como consultor oficial da entidade para mercados emergentes, incluindo o Brasil, com contrato com a Dentsu, parceira comercial da federação de atletismo. Recentemente, a companhia japonesa renovou contrato com a Iaaf até 2029. Nesse contrato, irá repassar à entidade R$ 44,8 milhões até 2019. A partir do ano seguinte, o valor será reajustado para R$ 57 milhões.

Coincidência ou não, dos cinco Campeonatos Mundiais desta década, quatro foram conquistados por países emergentes: Coreia do Sul (2011), Rússia (2013), China (2015) e Qatar (2019). A única exceção foi a Inglaterra (2017).