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Análise: EUA enxugam candidatura olímpica, mas esbarram em novas determinações do COI

Adalberto Leister Filho analisa as chances norte-americanas de voltar a ser sede da Olimpíada na era de contenção de gastos do COI

Adalberto Leister Filho - São Paulo (SP) Publicado em 01/12/2014, às 08h17 - Atualizado às 10h17

Imagem Análise: EUA enxugam candidatura olímpica, mas esbarram em novas determinações do COI

Em um momento em que o Comitê Olímpico Internacional procura fórmulas para diminuir o gigantismo da Olimpíada, os Estados Unidos acenam com boas perspectivas para os próximos anos. Ao contrário da evasão de candidatas aos Jogos de Inverno de 2022, quatro cidades norte-americanas querem ser sede da Olimpíada de 2024.

Boston, Los Angeles, San Francisco e Washington disputam internamente no Comitê Olímpico dos Estados Unidos (Usoc, na sigla em inglês) a indicação do país para sede dos Jogos de daqui dez anos. Seguindo a nova realidade econômica mundial e a sinalização do COI contra gastos perdulários, todas as candidaturas se prontificaram com um orçamento de US$ 5 milhões.

A decisão do Usoc sobre a candidatura norte-americana, sempre forte, deve sair em dois meses. Os Estados Unidos não são sede dos Jogos de Verão desde Atlanta-1996, apesar de serem os principais financiadores do Movimento Olímpico. A NBC, por exemplo, pagará US$ 7 bilhões pelos direitos de transmissão do evento até 2032.

Mais importante do que isso, a principal potência olímpica do mundo sinaliza que a austeridade financeira será uma nova tendência após orçamentos exorbitantes como os dos Jogos de Verão de Pequim-2008 (US$ 43 bilhões) e de Inverno de Sochi-2014 (US$ 50 bilhões). Não bastasse isso, a Grécia quase foi à falência anos depois de organizar os Jogos de Atenas-2004.

Há um problema adicional para a candidatura norte-americana. Nos Estados Unidos, desde Los Angeles-1984, não há financiamento público para a competição. Cada cidade terá que se garantir com patrocínios privados.

Enxutas como o COI sinaliza, as campanhas de Boston, Los Angeles, San Francisco e Washington ainda assim irão enfrentar novos obstáculos. Thomas Bach, presidente da entidade, defendeu a possibilidade de, para dividir custos, compartilhar os Jogos Olímpicos entre dois países. Outra ideia é realizar uma Olimpíada na África, continente que nunca teve esse privilégio, seguindo iniciativa da Fifa com a Copa do Mundo da África do Sul, em 2010. Os Estados Unidos, por sua vez, já sediaram oito vezes as Olimpíadas, entre suas versões de verão e inverno.

Se a nova tendência é dar fim à megalomania olímpica, o que até poderia beneficiar os norte-americanos neste momento, é também razoável ponderar que um evento que se pretenda mundial ainda não desbravou todos os cantos do planeta.