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Fórmula 1 usa briga política para lucrar com Brasil

Executivos da categoria se apoiam em vaidade de políticos para conseguir melhor negócio e manter F1 no país

Redação - São Paulo (SP) Publicado em 26/06/2019, às 07h45 - Atualizado às 10h45

Imagem Fórmula 1 usa briga política para lucrar com Brasil

A Liberty Media, empresa gestora da Fórmula 1, conseguiu usar a seu favor a futura disputa presidencial no Brasil para colocar Rio de Janeiro e São Paulo em rota de colisão e, assim, barganhar o melhor negócio possível para manter a categoria de automobilismo no país nos próximos anos.

Chase Carey em visita a Bolsonaro (Foto: Divulgação)

Na última segunda-feira (24), Chase Carey, CEO da Fórmula 1, esteve reunido com o presidente da República, Jair Bolsonaro, o governador do Rio de Janeiro e os donos do futuro autódromo que será construído na região de Deodoro. Após o encontro, Bolsonaro disse que o Rio deverá abrigar a F1 a partir de 2021 "para o bem do Brasil", já que o autódromo não terá investimento público para ser construído e, a princípio, a corrida no local seria garantida pela iniciativa privada. Segundo o presidente, a volta da prova ao Rio estaria "99% certa".

Carey durante encontro com Doria (Foto: Divulgação)

No dia seguinte, porém, Carey desembarcou em São Paulo, onde se reuniu com o governador João Doria Jr. e o prefeito da cidade, Bruno Covas. Após o encontro, Doria, que não esconde de ninguém o desejo de ser candidato a presidente da República em 2022, afirmou que o estado não deixará de abrigar a categoria e que usará recursos privados para manter o evento na capital paulista. Na entrevista, Doria ainda atacou o Rio de Janeiro e disse que São Paulo sabe fazer investimento privado em órgão público, citando o Museu da Língua Portuguesa, comparando-o com o Museu Nacional, no Rio, que pegou fogo e ainda não foi reconstruído.

Em meio à disputa de egos numa corrida presidencial, a Liberty Media deve conseguir que o Brasil passe a pagar uma taxa de R$ 20 milhões para ter o direito de abrigar a F1. Há alguns anos, São Paulo fez um acordo para que a taxa não fosse paga e a cidade continuasse a receber a competição. O negócio, porém, foi fechado com Bernie Ecclestone, antigo chefão da categoria.