Governo confirma saída de Orlando Silva

Ex-ministro do Esporte não resistiu às acusações de corrupção

Ex-ministro do Esporte não resistiu às acusações de corrupção

Orlando Silva Júnior não é mais ministro dos Esporte. A demissão do político do PC do B foi confirmada por Gilberto Carvalho, ministro da Secretaria Geral, no fim da tarde desta quarta-feira (26). O ex-ministro chegou ao Palácio do Planalto junto do presidente do partido, Renato Rabelo, para entregar a carta de demissão à presidente Dilma Rousseff.

Por enquanto, segundo informou Carvalho à "Folha de S.Paulo", quem assumirá o comando da pasta será Waldemar Manoel Silva de Souza, atual secretário-executivo do Ministério do Esporte. O ministro da Secretaria Geral não revelou quem são os nomes cotados para assumir definitivamente o posto, mas espera-se que a área continue sob a tutela do PC do B.

Silva Júnior é suspeito de coordenar esquema de corrupção, deflagrado em meados deste mês após reportagens feitas pela "Veja" e pelo "Fantástico", da Rede Globo. Na última terça, a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia aceitou pedido de abertura de inquérito, feito na última semana pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

"O PC do B disse que respeita a decisão da presidenta", explicou Carvalho. "Sabe que a decisão é da presidenta, e o ministro Orlando Silva foi de uma maturidade política muito grande".

O centro das suspeitas sobre o ex-ministro é o programa Segundo Tempo, cuja verba é repassada a organizações não-governamentais (ONG) para fomentar a prática de esportes entre jovens. A acusação foi feita, a princípio, por João Dias, policial militar, à "Veja".

As acusações vinham sendo desqualificadas pelo estafe e pelo próprio Silva Júnior, inclusive com publicidade veiculada no Distrito Federal, mas a defesa não foi suficiente para manter o político na liderança da pasta, incumbida, principalmente, de coordenar assuntos ligados à Copa do Mundo de 2014.

Histórico

As suspeitas de desvio de verba pública envolvendo o programa Segundo Tempo também recaem sobre o antecessor de Silva Júnior no cargo, Agnelo Queiroz. Ele foi o primeiro ministro da pasta e a assumiu após se o autor formal da "Lei Agnelo Piva", que destina 2% das loterias federais para o esporte.

Queiroz, entretanto, não havia sido bem sucedido à frente do Esporte. O político, atual governador do Distrito Federal, envolveu-se em processos para a liberação de R$ 25 milhões, ainda inconcluso, desde os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro.

Silva Júnior, ex-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), tomou o lugar de Queiroz após ocupar os postos de secretário nacional de Esporte, secretário nacional de Esporte Educacional e secretário-executivo do Ministério do Esporte. Em 3 de abril de 2006, foi empossado como ministro da pasta.

Nascido em 1971, o ex-ministro do Esporte é casado com Ana Cristina Petta, irmã de Gustavo Petta, ambos acusados de terem sido favorecidos por decisões do Ministério até então comandado por Silva Júnior.