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Maurício Portela: Medida Provisória dá um produto aos clubes

Ex-executivo de marketing do Flamengo é o entrevistado de "Os Maquinistas"

Redação - São Paulo (SP) Publicado em 24/06/2020, às 07h37 - Atualizado às 10h37

Imagem Maurício Portela: Medida Provisória dá um produto aos clubes

A Medida Provisória 984/2020, que concede ao clube mandante de uma partida o direito de comercializar por conta própria os direitos de transmissão de uma partida, permitirá ao futebol ter um produto para vender.

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Essa é a opinião defendida por Maurício Portela, que foi um dos fundadores do Esporte Interativo, ex-executivo de marketing do Flamengo e é o atual diretor da Live Mode, empresa criada em 2018 por ex-fundadores do EI para atuar exatamente na produção de conteúdo audiovisual para clubes e entidades esportivas.

Arte: Máquina do Esporte

Em entrevista a "Os Maquinistas", o podcast da Máquina do Esporte, Portela disse que vê a MP "resolvendo uma jabuticaba que eram os direitos no Brasil". Na visão do profissional, os direitos de arena divididos entre clube mandante e visitante fazia com que os times não tivessem produto a vender para a mídia, especialmente aqueles que chegavam à Série A do Brasileirão. O problema, segundo ele, é que os clubes já eram obrigados a negociar com Globo e Turner, já que os direitos da competição para os outros clubes do torneio já tinham sido negociados para as mídias.

É esse o caso enfrentado pelo Red Bull Bragantino atualmente. O clube, que é cliente da Live Mode, não tem contrato de transmissão na Série A do Brasileirão. Portela acredita que a MP ajuda o RB Bragantino a não depender de uma emissora.

"O Red Bull Bragantino agora pode criar um streaming próprio, ou pelo menos vender os direitos de 19 jogos para quem ele quiser", afirmou Portela, que ainda vê mais condições de clubes menores se unirem para barganhar com as emissoras.

A visão do executivo foi duramente confrontada por Erich Beting, CEO da Máquina do Esporte, que lembrou os casos de Itália e Espanha, em que a combinação de venda individual de direitos de mídia e direito de arena exclusivo do clube mandante criou, durante a década de 2000, um abismo entre os times que mais arrecadavam e os que menos faturavam.

"A MP só reforça a incompetência dos clubes de se unirem para vender bem os seus direitos. O que o Brasil fez só vai reforçar o lado do mais forte", disse Beting.

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Portela ainda acredita que a desunião dos clubes é o maior entrave para o futebol evoluir como negócio no Brasil. O executivo lembrou que, no período em que esteve à frente do Flamengo, encarou diversas vezes esse problema.

"Os clubes têm que entender que, fora de campo, eles são sócios. A disputa só deve acontecer dentro dele. Essa mentalidade precisa mudar", afirmou o executivo.

Clique aqui para ouvir a entrevista e o episódio completo de Os Maquinistas.