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Nike reduz risco na América do Sul, e Centauro assume no Brasil

Fabricante americana manterá investimento em clubes, federações e atletas

Erich Beting - São Paulo (SP) Publicado em 07/02/2020, às 08h18 - Atualizado às 11h18

Imagem Nike reduz risco na América do Sul, e Centauro assume no Brasil

Em julho de 2019, quando apresentou os resultados do último ano fiscal, a Nike fez um alerta para seus acionistas de que, em algumas regiões do mundo, a concentração de redes de varejo esportivo poderia colocar em risco os negócios da marca. Além disso, a empresa mostrava que a decisão de criar operações próprias de lojas da marca apresentava um maior risco de aumento de gastos em países onde houvesse uma queda acentuada nas vendas.

Meio ano depois, a Nike anunciou a venda de sua operação de lojas em quatro mercados-chaves da América do Sul: Argentina, Brasil, Chile e Uruguai. A partir de agora, as lojas da marca, físicas e virtuais, serão operadas por empresas locais. No Brasil, a Centauro pagou R$ 900 milhões para assumir a gestão de varejo da marca americana pelos próximos dez anos na loja on-line e por pelo menos cinco anos nas físicas. Nos outros países, caberá ao Grupo Axo, do México, comandar as operações.

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"A Nike gerencia negócios de distribuição bem-sucedidos ao redor do mundo e a expansão desse modelo no restante da América do Sul ajudará a impulsionar um crescimento sustentável e lucrativo", disse o presidente da área de consumo e marketplace da Nike, Elliott Hill, em comunicado enviado para a imprensa.

Foto: Reprodução

Na prática, o negócio significa que o trabalho da Nike na América do Sul passa a ser exclusivamente cuidar da marca. A empresa afirmou que manterá o investimento em clubes, federações e atletas. Esse deverá ser o foco a partir de agora. A Nike do Brasil, porém, passará a ser gerenciada pelo Grupo SBF, dono da Centauro.

Ao G1, o presidente do grupo, Pedro Zemel, afirmou que a empresa se dividirá em três unidades de negócios, com estruturas distintas: Centauro, Nike e a holding SBF. No último ano fiscal (junho/2018 a maio/2019), a Nike do Brasil faturou R$ 2 bilhões.

A expectativa é de que, com o negócio, aumente a capacidade de crescimento das lojas da Nike no país. Atualmente, a Centauro conta com 209 pontos de venda. A Nike, por sua vez, tem apenas 24 lojas próprias e outras 15 operadas por parceiros.

O negócio é também uma resposta da Centauro à compra da Netshoes, maior e-commerce esportivo do Brasil, pelo Magazine Luiza, há cerca de um ano. À época, a marca do grupo SBF tentou comprar a operação da concorrente, mas não conseguiu.

O acerto com a Nike reforça a relevância do grupo no mercado e também pode brecar um avanço da Netshoes com uma das marcas que mais vende no Brasil. Após o anúncio do negócio, as ações do grupo SBF subiram mais de 14% nesta quinta-feira (6).