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Oposição do Corinthians ataca marketing

Oposição do Corinthians ataca marketing

Guilherme Costa em São Paulo - SP Publicado em 26/01/2009, às 09h00 - Atualizado às 11h00

O Corinthians chegou à decisão da Copa do Brasil e conquistou a Série B do Campeonato Brasileiro em 2008. E nesse período de resultados positivos, nenhum departamento do clube teve feitos tão propalados quanto o marketing. Ainda assim, esse é o principal foco da campanha do opositor Osmar Stabile à presidência da equipe alvinegra ? o pleito acontecerá no dia 14 de fevereiro, e os sócios serão responsáveis pela escolha do novo mandatário. Há três candidatos à presidência do Corinthians: Andres Sanchez, que ocupa o cargo atualmente, Stabile e Paulo Garcia. Um dos principais trunfos da situação nessa corrida é justamente o sucesso do marketing, potencializado pela contratação do centroavante Ronaldo. Maior artilheiro da história das Copas do Mundo, o jogador viabilizou seu acerto com o clube alvinegro em função de uma composição de propriedades de patrocínio e receitas publicitárias. ?Essa contratação pode seduzir o torcedor, mas o torcedor é diferente do sócio que vota, que representa apenas uma fatia desse público. As pessoas que participarão da eleição são aquelas que estão cansadas dessa política do pão e circo, de grandes promessas que não são acompanhadas por grandes ações. O marketing do Corinthians atualmente é só discurso, mas falta planejamento?, atacou Stabile na última sexta-feira, no lançamento de sua campanha. A contratação de Ronaldo, curiosamente, é um dos principais motivos para crítica da oposição à atuação do departamento de marketing do Corinthians. O centroavante ainda se recupera de lesão nos ligamentos do joelho e não tem previsão sobre quando poderá atuar. Além disso, seu contrato prevê um salário fixo de R$ 400 mil e participação nos ganhos do clube com publicidade. Se a equipe alvinegra conseguir empresas dispostas a colocar suas marcas nas mangas das camisas e nos calções, por exemplo, o jogador ficará com 80% da receita. ?A pergunta que eu faço é: por que nenhum outro clube do mundo quis contratar o Ronaldo??, suscitou Stabile. ?Será que mais ninguém possui um departamento de marketing capaz de planejar algo dessa proporção? O fato é que o Corinthians não montou uma ação capaz; antecipou a contratação para um impacto na eleição, mas esqueceu de estabelecer passos para isso. O Ronaldo treinava no Flamengo de graça, e agora veio ganhar R$ 400 mil para correr na esteira aqui?, completou. O discurso oposicionista ainda levantou um ponto não divulgado do contrato de Ronaldo. Segundo o estafe de Stabile, Corinthians e o jogador estabeleceram uma meta de lucrar R$ 10 milhões com calções e mangas das camisas, dos quais R$ 8 milhões iriam para os bolsos do camisa 9. O problema é que esse valor destinado ao atleta representa um mínimo, mesmo se o clube não conseguir arrecadar o montante projetado. ?O Ronaldo representa um custo muito grande, ainda mais no cenário atual. Se o Corinthians conseguir um patrocínio master próximo de R$ 15 milhões por ano, mais ou menos o que Palmeiras e São Paulo anunciaram, será muito difícil arrecadar R$ 10 milhões com calções e mangas?, disse Caetano Blandini, um dos responsáveis pela campanha de Stabile. A tentativa de desconstruir o efeito Ronaldo foi apenas uma das marcas no lançamento da campanha do opositor. Os ataques ao marketing também apareceram em outros assuntos, como a permanência de uniformes e banners da Medial no clube a despeito do término do contrato com a empresa de planos de saúde. ?O marketing do Corinthians falou muito durante o ano, mas não teve grandes êxitos. E algumas coisas ainda ficaram muito mal explicadas?, ponderou Haroldo Dantas, presidente do movimento ?ação corintiana?, que lançou Stabile como candidato. Stabile foi ainda mais incisivo nas críticas: ?A única coisa que nós podemos classificar como sucesso de marketing é a camisa ?eu nunca vou te abandonar?, mas esse contrato é muito estranho. O Corinthians escolheu uma empresa de fundo de quintal, propriedade de um tio do Andres, e fica com apenas uma porcentagem do valor de venda. Ouvimos que é algo em torno de R$ 5, e a camisa custa R$ 45. Saiu o marketing comandado pela neta, entrou o marketing ligado ao tio?. A neta citada por Stabile é uma referência a Carla Dualib, que esteve à frente do marketing do clube na época em que Alberto Dualib era presidente. A empresa responsável pela confecção das camisetas ?eu nunca vou te abandonar? é a Poá Têxtil.