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Pesquisa mostra que "separação" é essencial para futebol feminino

Clubes e patrocinadores enxergam benefícios financeiros em "isolamento"

Redação - São Paulo (SP) Publicado em 09/04/2019, às 16h23

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A separação entre os contratos de patrocínio do futebol masculino e do futebol feminino está cada vez maior, o que faz com que o futebol das mulheres cresça fora de campo. Uma pesquisa realizada pelo Deloitte Sports Business Group chegou à conclusão de que, atualmente, 60% dos clubes de futebol feminino já têm patrocinadores diferentes do que seus equivalentes entre os homens. As informações são baseadas na atual temporada 2018/2019 do futebol mundial.

De acordo com a pesquisa, nos Estados Unidos, por exemplo, apenas um time feminino possui o mesmo patrocinador que o seu equivalente masculino (13% da liga). Na Alemanha e na França, o número chega a 25%. A "pior" proporção é encontrada na Inglaterra, com apenas quatro times femininos com patrocinadores diferentes de seus equivalentes entre os homens (64% da liga igual, portanto).

O Barcelona é um dos grandes do futebol mundial que tem patrocinadores másteres diferentes para os futebóis feminino e masculino (Foto: Reprodução / Twitter (@FCBfemeni))

"Historicamente, os direitos de um clube de futebol feminino ou de uma competição foram agrupados como parte de um pacote mais amplo com o equivalente masculino. Os parceiros comerciais e as emissoras tendem a enfocar e valorizar principalmente os clubes ou competições masculinas, com o jogo das mulheres não sendo valorizado por seus méritos autônomos. No entanto, as partes interessadas estão vendo as muitas vantagens de investir em uma área de crescimento rápido (as mulheres) do esporte favorito do mundo", explicou Izzy Wray, consultor do Deloitte Sports Business Group.

Ainda segundo o estudo, dos 20 clubes que mais geram receita no futebol mundial, 17 possuem uma equipe feminina e, destes, apenas nove (53%) contam com um patrocinador máster diferente para a equipe feminina em relação ao time masculino.

De acordo com o Deloitte Group, como os clubes e possíveis patrocinadores reconhecem cada vez mais os benefícios financeiros da separação dos contratos entre os dois futebóis, a tendência é que a proporção de equipes femininas com patrocinadores principais diferentes das masculinas chegue a 100% na Copa do Mundo Feminina de 2023.

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Na prática, os torneios também estão seguindo essa tendência. A Fifa tem fechado patrocínios específicos para o Mundial Feminino que será realizado na França este ano, por exemplo. Já a Uefa estreou a ideia da separação em dezembro do ano passado. Desde então, a entidade fechou acordos para o futebol feminino com Visa e Nike que englobam Liga dos Campeões e Liga Europa, assim como torneios de seleções, como os Mundiais Sub-17 e Sub-19, e as Eurocopas de futebol e futsal.

Para se ter uma ideia da importância dos contratos separados, a Liga dos Campeões masculina, por exemplo, possui contratos com MasterCard e Adidas, respectivamente os dois principais concorrentes de Visa e Nike.

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Ou seja, com a separação, a Uefa consegue se aliar a quatro marcas de grande porte e que não teriam a chance de patrocinar um torneio ao mesmo tempo. Isso traz um retorno financeiro maior à entidade, assim como traz aos clubes que conseguem fazer essa distinção entre suas categorias masculina e feminina.