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'Torneios de tênis viraram evento social', diz executivo da IMG

Em entrevista, Fernando Soler, da agência de marketing esportivo, fala da participação dos patrocinadores na transformação do tênis

Erich Beting - São Paulo (SP) Publicado em 25/02/2015, às 18h11

Imagem 'Torneios de tênis viraram evento social', diz executivo da IMG

Fernando Soler (à esq.) entrega troféu para Serena Williams

“Os torneios de tênis deixaram de ser unicamente torneios de tênis para se transformarem num evento social”. Assim que Fernando Soler, chefe da divisão de tênis da agência IMG resume a grande transformação vivida pelo esporte nos últimos anos.

Em conversa com a Máquina do Esporte, Soler falou sobre o mercado do tênis e as transformações vividas nos últimos anos.

Ex-jogador, há 29 anos Soler ingressou na IMG e, desde 2007, ele é o responsável pela área de tênis da agência, que conta com cerca 20 torneios organizados, entre eles o Rio Open e o Miami Open, além de agenciar a carreira de atletas como Novak Djokovic e Jo Wilfred Tsonga.

No bate-papo, Soler conta como essa transformação no esporte foi causada por influência dos patrocinadores.

 Leia trechos da entrevista a seguir.

*

Máquina do Esporte: Qual a grande mudança do mercado de tênis nos últimos tempos?

Fernando Soler: O tênis e os eventos conseguem atrair não só os aficionados de tênis, mas também outro tipo de gente que se sente atraído porque, durante um evento de tênis você pode fazer outras coisas que vão além de assistir a um jogo. Você pode comer bem, passear, comprar uma camiseta...

ME: Quando ocorreu essa transformação?

FS: No momento em que os produtores se deram conta de que, para atrair as marcas patrocinadoras, tinham de criar um entorno em que elas poderiam convidar seus clientes. E clientes que são apaixonados por tênis e clientes que não são apaixonados por tênis. Para isso, tinham de criar uma experiência que seria válida para todos. Foi aí que tudo mudou.

ME: Com esse cenário, como a IMG planeja a organização de eventos?

FS: O que temos tentado fazer é identificar mercados emergentes onde há necessidade ou um desejo de realizar eventos de tênis. Foi o que fizemos nos últimos anos não só com o Rio Open, mas também na Ásia. Temos torneios acontecendo na Índia, China, Japão, Malásia. São mercados onde não há tantas oportunidades de ter eventos esportivos de nível. Os eventos mais importantes do mundo estavam na Europa e nos Estados Unidos. Agora, há eventos importantes na Ásia e também na América Latina.

ME: Essas transformações impactam também no trabalho com o atleta?

FS: Sem dúvida. Graças às redes sociais também, os atletas deixam de ser ícone locais, viram pessoas de alcance global.

ME: Um exemplo disso é o próprio Djokovic?

FS: O caso de Sjokovic é um dos que nos dá mais orgulho. O mercado doméstico dele na Sérvia é pequeno. Nos últimos 18 meses, fomos capazes de conseguir para ele cinco contratos em nível global.

ME: A mudança societária na IMG, comprada pela agência de entretenimento William Morris Endeavor (WME), mudou o planejamento para o tênis?

FS: Na IMG, éramos muito fortes em esporte e mídia. Os novos donos são o número 1 em entretenimento. Estamos aproveitando muito do conhecimento que eles têm na área do cinema, da música, para aplicar no universo do esporte.

ME: Mas aumentou o foco em gestão de atletas?

FS: Nós sempre queremos representar os melhores jogadores do mundo. Sempre queremos isso.  O que existe, hoje, é que, com a ajuda da WME, temos uma proposta mais interessante aos jogadores que queremos representar. E sempre queremos os melhores. Não todos, mas os que consideramos melhores.