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Opinião / Opinião

Brasil não entende o potencial que há no futebol

Erich Beting Publicado em 10/12/2020, às 11h13

Há 15 anos, quando a Máquina do Esporte começava a nascer, os grandes clubes da Europa montavam estratégias de internacionalização de suas marcas, de olho num crescente mercado asiático. A estratégia de expansão ao exterior que começou a ser montada por Barcelona, Real Madrid e alguns ingleses hoje se tornou regra até para times menores.


Durante todo esse período, deitado em berço esplêndido, o futebol brasileiro não percebeu que sua marca começa a perder força. O interesse cada vez maior do jovem pelo conteúdo do exterior vai minando o negócio do futebol aos poucos. Não deixaremos nunca de consumir o futebol do Brasil, nossos clubes e atletas, mas a queda no tamanho desse negócio é cada dia mais nítida.


Agora, a Europa já começa a dar o segundo passo dentro dessa evolução. O entendimento de que produzir e distribuir o conteúdo é a chave para valorizar o produto que se tem disponível é algo que já faz parte da realidade europeia há pelo menos uma década. As ligas começam a colher agora frutos do passo dado lá atras.

Por aqui, continuamos na discussão estéril sobre reduzir a dependência da mídia, sem entender que o negócio agora é completamente diferente. Mais do que saber quem vai passar um jogo é ter total controle para determinar quem é que assiste a uma partida de futebol no Brasil. E, nesse cenário, estamos paralisados.


É impressionante notar que os gestores brasileiros não entenderam ainda o óbvio. Se a forma como eles consomem conteúdo mudou, porque ainda não implementaram essa mudança no produto que eles são responsáveis por gerir?

A chave para o sucesso de Itália e Espanha na gestão de suas ligas está no entendimento de que as diferenças de tamanho dos clubes não são mais importantes do que a gestão unificada do produto. Hoje, por mais que os campeonatos Italiano e Espanhol não sejam tão atrativos quanto o Inglês, suas ligas representam uma oportunidade de negócio enorme para quem quiser investir.


Existe um enorme potencial para fazer o futebol crescer. Para isso, os clubes precisam de duas coisas básicas: união de interesses e força comercial.


O futebol brasileiro e seus dirigentes agem como alguém que troca a televisão de casa esperando que o novo aparelho funcione melhor. Ele só não percebeu que o fio de eletricidade da TV antiga não estava ligado na tomada...