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Opinião / Opinião

Caso Robinho: Ah, essas feministas maravilhosas...

Erich Beting Publicado em 19/10/2020, às 10h22

Imagem Caso Robinho: Ah, essas feministas maravilhosas...

Peço licença ao gigante Luís Roberto para utilizar-me do bordão que ele consagrou na transmissão da Copa do Mundo. E aproveito para pedir desculpas às feministas. Pelo machismo que nos corrói, nos corrompe, e nos faz agir de forma assustadoramente embrutecida com todos.

Não foi o feminismo quem fez Robinho ser obrigado a romper o contrato com o Santos. Foram as atitudes irresponsáveis tomadas por ele e pelo clube no passado que vieram cobrar a conta neste momento. Por que não antes? Porque nossa sociedade vem amadurecendo, a uma boa velocidade, nos últimos tempos, em especial nos últimos meses de pandemia e reflexões.


Robinho foi condenado em primeira instância por estupro. Isso é um fato. Não está preso por conta do rito processual. É outro fato. Ele ainda poderá provar sua inocência. Mais um fato. O que não dá para voltar atrás é com as declarações impressionantes que ele deu após o relacionamento sexual que teve com a jovem albanesa há seis anos em Milão.

E é isso o que, agora, pesa contra ele. Apesar de Robinho tentar se esquivar de sua culpa e afirmar ao UOL: "Infelizmente, existe esse movimento feminista. Muitas mulheres às vezes não são nem mulheres, para falar o português claro. E se levantam contra porque coisas que homens...".


Coisas que homens não devem fazer. Que pessoas precisam aprender, de uma vez por todas, que não são corretas. Que ferem o direito do outro. Que são atitudes condenáveis moralmente e, em última instância, judicialmente.

Robinho é inocente até que prove o contrário. O problema é que as atitudes que ele tomou e que vieram à tona na revelação dos diálogos com os "amigos" após o caso de estupro ir à Justiça mostram uma conduta imoral e agressiva, independentemente do que vier a decidir o júri na Itália sobre o caso.


E é sobre isso, mais do que qualquer outra coisa, que a pressão da opinião pública e dos patrocinadores santistas recaiu. Robinho não é vítima do feminismo. Pelo contrário. As vítimas são as mulheres que frequentemente são sufocadas por um comportamento antiquado que as coloca numa posição servil.


Há dois anos, quando quase voltou ao Santos, Robinho foi descartado por conta da condenação. Naquela época, quem sabe, o discurso de "não foi condenado em última instância" talvez colasse. Ah, essas feministas maravilhosas.