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Opinião / Tuíte

Casos de Corinthians e São Paulo no Twitter explicitam gestão de boteco

Duda Lopes Publicado em 16/12/2020, às 14h32

Imagem Casos de Corinthians e São Paulo no Twitter explicitam gestão de boteco

O quão sério e preparados são os grandes clubes brasileiros? A maioria deles prega gestão profissionalizada, como boas empresas, mas às vezes basta uma mensagem de Twitter para que tudo caia por terra. Foi o que aconteceu na tarde de terça-feira (15), quando o Corinthians fez uma piada homofóbica com o rival São Paulo.

A mensagem, que pode parecer um simples descuido, é uma grave falha na estratégia de comunicação da equipe. É algo básico da gestão do segmento: o posicionamento e os valores da marca, o modo como uma empresa quer ser vista e entendida pelo público, têm que ser transmitido em todos os canais de relacionamento. Passa pelos meios de promoção, pelo discurso de executivos, pela cultura organizacional e pelo relacionamento direto com clientes.

Aparentemente, isso é um mundo distante para o Corinthians. Além do erro recente, o futuro presidente do clube, Duílio Monteiro Alves, já fez comentários no mesmo tom, quando era diretor de futebol, ao apresentar o meia Cantillo. Diante das câmeras, ele recusou o número 24.

Corinthians publicou piada homofóbica no Twitter; clube apagou e pediu desculpas (Foto: Reprodução)

Os atos concretos têm, na percepção pública, um efeito mais abrangente que o desejo de posicionamento. Hoje, seguindo uma linha histórica da equipe, o Corinthians se coloca como um time progressista, que bate o pé contra o racismo, a homofobia e a discriminação social. Mas, a cada deslize, o posicionamento fica mais distante do brand equity.

Pior, para a percepção de profissionalismo do futebol brasileiro, foi a resposta do São Paulo. O time do Morumbi usou uma mensagem antiga do rival, contra a homofobia, para ironizar a provocação mais recente. O clube, que tão pouco fez pela questão e que há poucos anos teve jogador que imitou uma galinha contra o rival, deixou a oportunidade de se posicionar para colocar uma resposta típica de torcedor, tão longe da seriedade que o assunto merece. O Corinthians, pelo menos, apagou e pediu desculpa pelo erro.

No fim, o que fica é uma clara demonstração de que os dois clubes, que tiveram déficit de mais de R$ 150 milhões na última temporada, lidam com suas marcas de maneira absolutamente rudimentar. Seus canais de comunicação não são pensados para engajar, conversar, brincar e gerar consumo concreto. Eles atuam como torcedores antiquados no boteco, depois de beber mais do que deviam. Algo inadmissível no mundo profissionalizado do futebol.