Opinião

Com técnicos, times mostram dificuldade

por Duda Lopes
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Entra temporada, sai temporada, e os times brasileiros mostram o mesmo caminho de trabalho dentro do futebol: a demissão sistemática de treinadores. A metodologia de trabalho por esses lados se baseia numa ciranda de tentativa e erro, normalmente com os mesmos nomes para compor as trocas frequentes. Tecnicamente e financeiramente, a estratégia é trágica. E, pior, mostra que as equipes não conseguem fazer o básico. 


Basicamente, ninguém espera que, de repente, os clubes brasileiros passem a operar como empresas altamente profissionalizadas. É, sem dúvida, um processo o entendimento da necessidade de criar um ambiente mais adequado a novos negócios, e o desenvolvimento é gradual. Assim tem acontecido, por sinal, com enormes avanços na grande maioria das agremiações nacionais.

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O que se espera é que clubes centenários de futebol saibam organizar o próprio futebol. E, lamentavelmente, não se vê isso. As trocas corriqueiras de treinadores mostram que, no esporte, o básico não é bem cuidado. E, na essência do negócio, há pouca evolução.


Nesse aspecto, há exemplos mais interessantes fora do país, ainda que a cultura do imediatismo seja universal dentro do futebol. Em 2015, quando o alemão Jürgen Klopp chegou ao Liverpool, teve uma primeira temporada complicada: ficou em oitavo na Premier League e perdeu uma Liga Europa para o Sevilla, algo bem distante das pretensões inglesas. A Liga dos Campeões veio quatro anos depois. E o jejum de 30 anos do Campeonato Inglês foi quebrado apenas na última temporada.

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No Brasil, o Flamengo fez uma aposta interessante. Contratou Domènec Torrent, auxiliar de Pep Guardiola, com passagem por alguns dos maiores clubes do mundo. Era claro que, para o estilo pretendido, era necessário tempo de treinamento, o que não foi possível com o atual calendário. O time mostrou fragilidades defensivas e, em três meses, o treinador foi demitido. Com uma multa de rescisão que custou R$ 12 milhões aos cariocas.



A ideia básica de planejamento, projeto e execução em longo prazo é algo que a maioria dos clubes brasileiros precisa absorver com enorme urgência. Vale para o trabalho no marketing, mas também nos elementos mais básicos do futebol. Quando os dirigentes se limitam à própria miopia, o resultado é pouco desenvolvimento e muito prejuízo. Uma péssima receita.

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