Máquina do Esporte
Facebook Máquina do EsporteTwitter Máquina do EsporteYoutube Máquina do EsporteLinkedin Máquina do Esporte
Opinião / Opinião

Covid vai salvar o sócio-torcedor

Erich Beting Publicado em 29/10/2020, às 11h14

Imagem Covid vai salvar o sócio-torcedor

Oimpacto da pandemia do coronavírus foi direto para os programas de sócio-torcedor no Brasil. Há alguns anos que batíamos na tecla por aqui de que o engajamento do consumidor precisava acontecer de uma nova forma se os clubes quisessem de fato faturar com o fã. 


Mas a correria do dia a dia e o relativo sucesso de receita com os programas de sócios acabavam colocando em segundo plano essa necessidade de os clubes pensarem se, de fato, conversavam com o seu cliente da forma correta.

Ao ter de jogar a portas fechadas por uma temporada completa, o futebol percebeu, na dor, que vinha fazendo errado o projeto de relacionamento com o fã. Como bem expressou Lucas de Paula, da OutField, num país em que a taxa de ocupação dos estádios não é de 75%, o programa de sócio-torcedor que vende como maior benefício acesso ao estádio é negócio que não fica em pé.


 Essa conta só ficou clara agora, com a pandemia. O torcedor percebeu que vinha sendo "enganado" pelo clube, já que não havia mais estádio para ir e praticamente era só isso o que havia para ser oferecido a ele como benefício por ser um "sócio-torcedor" do time de coração. A debandada geral dos programas ligou o sinal de alerta de que era preciso repen- sar o projeto para ele voltar a ter adesão.

Não por acaso surgiram projetos de conteúdo exclusivos para sócios, como os de Bahia e Athletico Paranaense. Ou, ainda, produtos que só quem é sócio-torcedor tem acesso, como o Manto da Massa, do Atlético-MG, ou algumas ações pontuais promovidas pelo Flamengo para o seu torcedor associado. 


O que o futebol precisa entender, porém, é que o sócio-torcedor não é só fonte de receita a ele. Mas garantia de conhecer como ninguém o hábito de consumo de uma massa imensa de pessoas. Raríssimas empresas têm condi- ções de ter tão bem mapeados os hábitos de consumo de dezenas de milhares de pessoas como um clube de futebol é capaz de conseguir com o torcedor.

Se o Covid mostrou que é preciso repensar o modelo de receita que o Brasil havia criado, é hora de os clubes entenderem que o sócio-torcedor é a porta de entrada deles para o universo corporativo. Parcerias para vender soluções a empresas precisam ser criadas a partir do mapeamento do hábito da torcida. 


Mais do que achar uma solução financeira pontual para o time, o sócio-torcedor precisa virar solução de negócios aos patrocinadores dos times.