Opinião

Dar opinião é virtude no 'novo normal'

por Erich Beting
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Durante décadas o esporte usou o argumento de que não poderia se misturar com a política para, na maioria das vezes, calar as minorias. Desde a vitória de Jesse Owens desmistificando a estúpida ideia de soberania de raça pregada por Adolf Hitler em 1936, passando pelo punho cerrado em homenagem aos Panteras Negras em 1968, o esporte tentou sempre impedir que sua força midiática fosse usada pelos mais fracos.


A reviravolta de sentimentos que temos experimentado no mundo nesses últimos oito meses já começa a ser traduzida em números. Hoje, esportista manifestar a sua opinião não é apenas um direito, mas um dever social.

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Os casos de Hamilton, Osaka e Rashford que a Nielsen mapeou neste tempo somam-se à enorme mobilização provocada por diversos outros atletas e entidades esportivas em defesa dos desfavorecidos numa sociedade excludente.

Em meio à gritaria existente nas redes, a representatividade de minorias é uma vitória que a humanidade conquista. Por mais que haja discussões acaloradas e isso leve a uma polarização da sociedade, só o fato de se ver representado num post alheio é algo a ser muito celebrado.


Da mesma forma que isso pode trazer de volta hábitos que acreditávamos estivessem sendo empurrados para os sombrios porões do passado, também ajuda a dar voz a quem menos tem.

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É exatamente a captação desse sentimento que alguns atletas tiveram. O direito à livre manifestação deve ser sempre preservado em qualquer sociedade minimamente desenvolvida. O esporte, sempre vivendo num universo à parte, tentou levar para o público a ideia de que "misturar-se" com política era um mau negócio por causa das críticas que os gestos poderiam causar.


Só que a geração mudou, e os atletas de hoje são aqueles que vieram com uma cultura de comunicação em redes, onde não há limite para a liberdade de se manifestar. Já entramos na época em que os ídolos nasceram no novo milênio. E temos de nos acostumar com esse "novo normal" da comunicação.


Expressar a opinião é uma virtude. Antes, enclausurados no mundo corrido em que vivíamos, nós sufocávamos a ideia de que era preciso dar voz a todos. Felizmente a pandemia força a evolução. Essa é a nossa nova realidade. 


Expressar-se é uma virtude. E uma bênção. Ir contra isso é morrer no passado.

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