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Opinião / Opinião

Descontrole também prejudica economia

Erich Beting Publicado em 17/12/2020, às 10h56

Imagem Descontrole também prejudica economia

O discurso usado por boa parte das pessoas para justificar o desprezo por medidas mais severas contra a pandemia é o de que "ficar em casa" causará uma enorme perda à economia. O adiamento sem uma data definida do Rio Open 2021 é um exemplo de como o descontrole da pandemia causa, além de mais mortes, perdas também na economia. 


Sim, é algo incontrolável o que temos vivido atualmente. Mas poderiam ser atenuados os efeitos perversos da pandemia se tivéssemos o mínimo de interesse em termos um direcionamento do que fazer, sem apontar dedos em busca de culpados ou jogar para a torcida pensando nas urnas em 2022.

A consequência da falta de um planejamento de combate ao coronavírus traz como resultado a ausência de perspectiva de realizar um grande evento esportivo com a presença de público no Brasil em 2021. Enquanto em diversos países há um mínimo de expectativa e de visão de luz no fim do túnel, aqui continuamos a usar máscara como tapa-olhos. 


O Rio Open é o primeiro grande evento que já nos despedimos neste próximo ano. A perspectiva de se achar uma brecha no calendário da ATP é mínima, ainda mais com a necessidade de deslocamento mundial que exige o circuito do tênis.

Por causa da pandemia, Rio Open 2021 foi adiado sem previsão de data
Fonte: Unsplash

O segmento de corridas de rua é outro que vive uma tremenda incógnita para o ano que se aproxima. Qualquer prefeitura minimamente responsável vai impedir realização de provas sem uma vacinação completa - e eficiente - da população. O mesmo podemos dizer para o retorno de torcedores a estádios e ginásios em meio a um cenário incerto. 


Em países onde existe um protocolo federal adotado para tentar minimizar os efeitos da pandemia na saúde, como Alemanha e Inglaterra, começam a ser adotadas algumas medidas para permitir ao esporte ter o mínimo de esperança em voltar a ser como era antes, mesmo que em proporções mais reduzidas. Isso não significa um alento para os reflexos econômicos da pandemia, mas ao menos dá a perspectiva, de quem trabalha com eventos, de traçar cenários. 


No Brasil, vivemos o cenário mais incerto possível. No afã de liberarmos as pessoas para o bem da economia, prejudicamos a saúde e, como consequência, sofremos mais ainda com prejuízos sobre a economia. Descontrole, desinformação e despreparo causam mais danos financeiros do que "ficar em casa".