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Opinião / Opinião

Espontaneidade foi a marca de Maradona

Duda Lopes Publicado em 26/11/2020, às 08h54

Imagem Espontaneidade foi a marca de Maradona

Minha mãe diz que meu primeiro contato com o futebol foi no histórico jogo entre Argentina e Inglaterra, pela Copa do Mundo de 1986. Naquele 22 de junho, eu tinha apenas 20 dias de vida e era amamentado em frente a uma TV quando surgiu 'La Mano de Dios'. De verdade, a primeira lembrança de Maradona é de 1994, na célebre comemoração contra a Grécia. Uma cena que marcou o fim do estrelato do argentino.

Por que, então, a notícia da morte de Maradona me comoveu tanto, assim como abalou milhões de pessoas ainda mais jovens, que tiveram ainda menos contato com a genialidade do craque em campo? A resposta é fácil: porque o argentino foi o mais humano das lendas da história do esporte.

Maradona sempre foi absolutamente espontâneo, para o bem ou para o mal. Parecia não ter filtros nem na hora de ameaçar um jornalista, nem no momento de celebrar um gol do Boca Juniors. Era a antítese do profissional media training e, por isso mesmo, serve de lição.


Existe um limite no que um atleta deve se podar por questões comerciais. Maradona batia no pé por suas convicções políticas. Caía em choro por suas derrotas pessoais. Abraçava o povo sem nenhuma cerimônia. Beijava aqueles que considerava irmão. Na boca. Não estava nem aí. Maradona unia em uma só pessoa aquele estilo "gente como a gente" com uma figura aspiracional. É difícil não querer ser um pouco como ele.

Por tabela, seu estilo apaixonado e sempre emocional era espelho de seu país, uma Argentina que nunca teve medo do drama. Era também o retrato de toda uma América Latina, que sofre, mas vence no final. Não por acaso, a banda porto-riquenha Calle 13, em seu principal sucesso, Latinoamérica, citou o craque para traduzir o sentimento da região, essa que "respira lucha": " Soy Maradona contra Inglaterra. Anotándote dos goles". É o nosso ápice!


Cada um, claro, tem o seu jeito de ser. Mas é fácil entender o quanto Maradona comove fora dos gramados ao ser comparado com seu conterrâneo Messi, sempre blasé, ou com seu concorrente histórico, Pelé, que sempre separou a figura do Edson. Com Maradona nunca houve reação de indiferença. Com Maradona, nunca houve separação entre a lenda e o Diego. Ele sempre foi o que foi, com angústias, defeitos e enormes qualidades. O gol contra a Inglaterra valeu tanto quanto sua luta pela vida. Foi um ídolo muito além do campo.