Opinião

Falta base para o autódromo do Rio

por Duda Lopes
A
A

Apesar de ver São Paulo renovar com a Fórmula 1 por mais cinco anos, o Rio de Janeiro insiste em ter um autódromo de alto padrão, em uma obra que deve custar cerca de R$ 1 bilhão. A discussão não é simples, no entanto. O histórico da cidade e dos investidores mostram que a tendência é que o plano seja problemático.


A começar pela empresa Rio Motorsports, companhia que não conseguiu arcar com os curtos que envolviam o MotoGP e ainda venceu as licitações do autódromo sem comprovar ter o capital exigido para isso. A empresa, que luta para conseguir o aval ambiental das obras, aparenta estar em uma grande aposta, com a dependência de outros investidores comprarem a ideia.

publicidade
publicidade

Mas por que comprar a ideia? O Rio de Janeiro recebeu diversos eventos nos últimos anos, e o histórico de sustentabilidade das estruturas montadas é péssimo. O Parque Olímpico, por exemplo, nunca brilhou após 2016. Apesar de ter sido palco de alguns shows e de outros eventos menores, o espaço de R$ 2 bilhões chegou até a ser fechado por falta de laudo de segurança. 


A Vila Olímpica também é complicada. Até 2019, menos de 15% dos apartamentos tinham sido vendidos. Agora, o provável futuro prefeito Eduardo Paes tem como uma das bandeiras dar sequência ao plano original de legado do evento que ele mesmo apoiou. Será um enorme desafio.

publicidade

O caso mais extremo está no Maracanã, o mais famoso estádio do Brasil. Reformado a mais de R$ 1 bilhão e palco de Flamengo e Fluminense, a arena chegou a perder o consórcio da Odebrecht, que nunca conseguiu fazer da estrutura algo rentável. Agora, o local espera por um novo processo de licitação.

O novo autódromo apostava no imobiliário, mas as questões ambientais irão impedir esse caminho. Deverá se convencer de que o local receberá uma série de eventos além da Fórmula 1, se porventura o acordo for fechado em 2025. Mas terá a concorrência de locais que já estão em pé, são mais bem localizados e estão desesperados para serem minimamente lucrativos.


No fim, a empreitada parece muito mais uma aventura do que um projeto sólido de estrutura de esporte e entretenimento. Após a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, esse é o típico negócio que o mercado esportivo nacional não precisa. Muito melhor é se apoiar nas iniciativas que funcionam.

publicidade

Site da ESPN tem recorde, e canal vê triunfo de estratégia