Opinião

Hamilton mostra esporte ativista

por Duda Lopes
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Depois de 2020, o esporte não será mais o mesmo. Maior do que o impacto do coronavírus nesse mercado foi a importância que movimentos sociais ganharam dentro de quadras e gramados. E quando essas questões ganham peso até mesmo entre os organizadores, elas passam a ter uma enorme relevância dentro da sociedade. E, por fim, o esporte ganha um espaço ainda maior na vida dos fãs e dos potenciais fãs.

Um dos símbolos desse novo ciclo é Lewis Hamilton. "Prometo que não vou parar de lutar por mudanças", afirmou o piloto após vencer a Fórmula 1 deste ano. Foi o sétimo título do inglês, que caminha a passos largos para se tornar o maior nome da história do automobilismo mundial.

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"Este ano fui impulsionado não apenas pelo meu desejo de vencer nas pistas, mas por um desejo de ajudar a impulsionar nosso esporte e nosso mundo a se tornar mais diversificado e inclusivo", contou o piloto no Instagram.

O sétimo título de Hamilton o colocou no mesmo patamar de Schumacher. Mas quantos campeões da Fórmula 1 decidiram fazer da conquista uma bandeira por mudanças sociais? Hamilton é diferente. E age assim em parte porque existe esse desejo, mas em outra parte porque hoje existe a abertura para um esportista, negro, agir dessa maneira. Nem sempre foi assim.

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Se Hamilton foi o atleta-símbolo, a NFL foi a prova de que 2020 foi um ano diferente. A liga de futebol americano, que há poucos anos execrou as manifestações de Colin Kaepernick, dessa vez abraçou os protestos dos "Black Lives Matter". Agora, os jogadores podem temer muito menos a repressão sobre suas palavras contra os males de suas próprias vidas. Que vitória!

Evidentemente, ninguém teve a ilusão de que houve uma maior consciência social por parte dos donos de franquia. Mas esporte é business e, agora, a postura conservadora é péssima para os negócios. Na prática, pouco importa o motivo, o principal é como o segmento ganha uma maior representatividade.

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Afinal, foi justamente a alta profissionalização que tornou o esporte um ambiente hostil para manifestações políticas, como até hoje gostam de exaltar alguns comunicadores. A pressão social, por outro lado, é implacável. O mundo quer mesmo que Hamilton continue vencendo adversários nas pistas e fora dela. O título fica ainda mais prazeroso de se ver.

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