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Opinião / Opinião

Ibirapuera é rosto do desprezo ao esporte

Duda Lopes Publicado em 02/12/2020, às 14h49

Imagem Ibirapuera é rosto do desprezo ao esporte

O complexo esportivo do Ibirapuera, em São Paulo, está próximo de virar pó. Nesta semana, o Governador do Estado, João Dória Jr, conseguiu mais uma vitória para transformar piscinas em shopping e torres comerciais. Um dos raríssimos equipamentos públicos esportivos da cidade será passado à iniciativa privada e será fechado à população.

A ânsia privatizante de Dória foi tão intensa que ele não conseguiu arranjar um parceiro que pudesse reformar o equipamento, torná-lo comercialmente sustentável e, ainda assim, manter sua função original, de aproximar o esporte às pessoas da cidade. Ninguém é a favor de ginásio abandonado, mas ceder equipamento público sem uma contrapartida justa é algo criminoso.

É, no mínimo, curioso ver como Dória, que se elegeu se autoproclamando "gestor", não conseguiu enxergar um modo de gerir um ginásio, algo que a cidade tanto carece, seja para grandes eventos esportivos, seja para shows de médio porte. Agora, um novo ginásio deverá ser feito, porque esse vale a pena. O estádio e as piscinas serão transformados em uma extensão da Faria Lima.


A decisão é um reflexo direto de como o poder público enxerga o esporte no Brasil: como um fardo. Dória ignora totalmente o fato de que investir no esporte é investir em saúde, em educação e em uma indústria que, mesmo subutilizada, gira mais de 1% do PIB nacional. Ter um complexo como o do Ibirapuera é uma oportunidade única de colocar crianças e adolescentes em contato com uma pista de atletismo, um campo oficial ou uma piscina olímpica, algo tão restrito à elite de cidade. Dória, que mora a poucos quarteirões do Clube Pinheiros, não conseguiu (ou não quis) enxergar essa importância do local público.

Os delírios de privatização adotados pela dupla "Bolsodória", termo criado pelo agora governador paulista em 2018, não pode nunca afetar negativamente a vida das pessoas, uma obviedade que não precisaria ser dita em situação normal. Educação é obrigação do Estado e, por consequência, esporte e cultura entram nesse jogo nas mais diversas situações. Demolir o complexo para construir um shopping é como transformar uma escola em loja porque custa muito ao governo manter a lousa em pé. Não faz sentido algum. 


Historicamente, o esporte esteve longe da prioridade no Brasil. Demolir o complexo do Ibirapuera será o maior símbolo desse descaso.