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Opinião / Opinião

Inovação aberta é boa para clubes e startups

Felipe Ribbe - Colunista Convidado* Publicado em 20/10/2020, às 10h45

Desde que lançamos o Vozão Conecta, muita gente me pergunta por que criamos este programa de inovação aberta. Afinal, dizem, futebol brasileiro e inovação não combinam, nossos dirigentes não têm mentalidade (e capacidade) para fazer algo nesta linha, ou ainda não existem startups suficientes para atender a uma iniciativa assim. 

Motivos para não seguir em frente sempre nos deram muitos. Mas nosso papel é justamente quebrar estas barreiras. Em primeiro lugar, é importante dizer que não podemos generalizar o futebol brasileiro e seus dirigentes. Existem clubes e profissionais que fazem ótimos trabalhos, sempre pensando fora da caixa. O Ceará Sporting Club é um ótimo exemplo. Desde o primeiro momento em que conversei com Lavor Neto, diretor de comunicação e marketing, ele viu valor no que a Enzima estava propondo e rapidamente mobilizou sua equipe.

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Em segundo lugar, existem empreendedores com muita capacidade no Brasil. O problema é que somos um ambiente hostil para eles. Pense: qual o estímulo que uma pessoa tem para dedicar tempo e dinheiro desenvolvendo uma solução ao esporte brasileiro? Falta espaço para testar e aplicar esta solução; faltam clientes em potencial para escalar o negócio.

Felizmente, aos poucos, as coisas têm mudado. O Vozão Conecta abre as portas de um clube de elite para startups poderem testar suas soluções durante três meses. Ao final do período, seus produtos estarão adaptados e prontos para o mercado, além de haver a possibilidade de se fechar um contrato com o próprio Ceará e/ou levantar investimentos com a Enzima e a Outfield Capital, nossa apoiadora nesta iniciativa.

Trata-se de uma oportunidade única para estas empresas e para o Ceará. Com tantas mudanças constantes, é muito importante para o clube estar perto daqueles que estão criando as mudanças, desenvolvendo as soluções que vão ajudar a encontrar novas maneiras de se engajar torcedores, melhorar a performance de atletas, otimizar processos internos... Organizações esportivas geralmente são lentas, demoram a tomar decisões; ter contato com startups mostra a elas uma nova maneira de se gerir negócios e fazer as coisas acontecerem.

É isto que queremos com o Vozão Conecta: estimular um ambiente interno inovador no Ceará, incentivar outras entidades a seguirem o mesmo caminho, e contribuir para crescer o ecossistema de inovação no esporte brasileiro.

* Felipe Ribbe é head de novos negócios da Enzima