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Opinião / Opinião

Interação mudará modo de ver o esporte

Duda Lopes Publicado em 04/12/2020, às 08h46

Costumo comentar que, durante a pandemia, as reprises de jogos históricos serviram para duas coisas: a primeira foi para aumentar a admiração à seleção de 1970. A segunda, para concluir que, em 50 anos, as transmissões esportivas não mudaram em quase nada. Umas câmeras a mais, uns repórteres extra e, certamente, imagens mais nítidas. O formato de exibição do evento, no entanto, é exatamente o mesmo.


Isso não é uma crítica ao modelo atual, mas uma constatação óbvia: haverá fortes mudanças no modo de se consumir esporte em breve. O esporte, assim como outras atrações televisivas, não conseguirá ficar imune às mudanças do tempo. Cada vez mais, essa experiência passiva do telespectador se torna menos tolerável, especialmente para os mais jovens, que nasceram conectados.

Demorou, mas finalmente surgiu um exemplo real e prático de como as transmissões devem ser nos próximos anos. A iniciativa do TV NSports, de cortar a segunda tela e se apresentar como uma plataforma interativa, mostra um modelo fácil e dinâmico. Especialmente na capacidade de venda, aquela que pode chegar ao torcedor no momento de maior empolgação frente ao esporte.


Neste ano, vimos na Globo a tentativa de entrega a parceiros comerciais durante a Black Friday, com oferta para vendas direta. A campanha foi bem executada, com bom tempo e conteúdo, mas muito pouco prática. Para citar apenas um exemplo de possibilidade, eu nunca consegui acessar um QR Code na tela. Quando finalmente miro o celular na TV, o código já está longe.

Quando existe um sistema integrado na transmissão, tudo muda. A camisa do craque do jogo pode ser comprada em um toque, no impulso. E tudo passa a ser propriedade comercial, inclusive com ofertas segmentadas. A tendência é que o torcedor possa consumir o esporte da maneira mais personalizada possível, e o mercado tenha acesso direto às suas preferências. 


Ainda existem gargalos para que tudo isso se torne realidade, para além de uma transmissão realizada na tela de um celular. As televisões passarão por um processo de mudança, e a conexão deverá ser muito mais dinâmica. São fatores que deverão sofrer mudanças mais rápidas com a chegada do 5G e a internet das coisas. O mais provável é que, em poucos anos, aquela transmissão da Copa de 70 realmente seja algo de um passado distante.