Opinião

Lei exibe populismo da política no futebol

por Duda Lopes
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O jogo da seleção brasileira contra a seleção uruguaia gerou uma ilegalidade no país. Por lei, todo jogo do time nacional tem que ter transmissão em TV aberta. Afinal, o futebol é patrimônio cultural do país e não pode ser impedido de ser visto pelo público. Certo? Pode até ser. Mas a medida, totalmente sem aplicação, mostra o quanto o poder público é populista na hora de desenvolver o esporte e o mercado esportivo.


Na prática, a lei, que também existe em outros países, nada vale. A constatação, mostrada nesta edição do Boletim Máquina do Esporte, mostra o quão inócuas são as ações governamentais. A começar pela própria medida.

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A obrigatoriedade de transmissão de jogos da seleção brasileira está totalmente fora de contexto comercial. O futebol é um negócio que gira bilhões todos os anos, especialmente pelos direitos de torneios para a televisão. Por mais que o time seja um símbolo nacional, ele é um produto da indústria esportiva. E dos bons. Não faz muito sentido uma lei que ultrapasse a disputa do mercado. 


Mas, já que uma lei do tipo existe, ela bem que poderia ser usada em contextos mais úteis, a fim de dar maior acesso a esse patrimônio cultural. Que tal, por exemplo, impedir horários esdrúxulos no Campeonato Brasileiro? Algo que não deixe que o Palmeiras e o Atlético Mineiro joguem em horário comercial de uma segunda-feira, como aconteceu neste mês. Essa imposição parece fazer mais sentido do que a obrigatoriedade da seleção brasileira na TV aberta.

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Muito mais importante do que mexer na grade de programação da televisão, o governo brasileiro poderia focar em modos de desenvolver a indústria do esporte, um mercado que movimenta quase 1% do PIB do país. Poderia ter regras mais rígidas contra as péssimas gestões de entidades esportivas, mais do que criar mecanismos que sistematicamente socorrem essas organizações.



Não é como se o Estado não tivesse tido nenhuma evolução nas questões que rodeiam o esporte. A própria Lei Pelé representou um grande avanço, assim como o Estatuto do Torcedor. Ambos, claro, sujeitos a críticas, que devem sempre ser ouvidas para que os textos evoluam. Mas o caso da seleção também serve de alerta para o quanto que o mercado esportivo é tratado de maneira superficial e populista pelos governantes do país. Que a vitória da seleção vista apenas nas plataformas pagas sirva de reflexão para todos.

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