Opinião

MP vira palco para discussão sobre TV

por Duda Lopes
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A Medida Provisória 984, a chamada MP do Mandante, pegou o mercado de surpresa ao ser lançada. Com forte teor populista por parte do Planalto, a iniciativa mudava, na base da canetada, a forma de negociar os direitos de transmissão esportiva. Com apelo de times grandes e algumas emissoras, a ação ignorava qualquer discussão aprofundada sobre o assunto, lançada em plena pandemia pelo coronavírus.

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Ou seja, a MP foi toda errada. Além de autoritária, ela não resolvia o problema. Ao contrário, dava ainda mais força às grandes emissoras e jogava os clubes em uma situação em que o abismo financeiro tinha tendência a ser cada vez maior. Mas isso não significa que a MP não tenha servido para nada. Por vias tortas, ela ajudou a colocar a discussão sobre os direitos em evidência.


O domínio das emissoras é sim um problema para o desenvolvimento do futebol brasileiro. Reconhecer isso não é desprezar a importância da TV para a indústria do esporte, mas entender que essa relação exige um comportamento mais profissionalizado da parte das entidades esportivas. Esse despreparo ficou claro no apoio de alguns times à MP, em campanha cheia de meias verdades.

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Só existe uma maneira de equilibrar a balança entre os clubes e as emissoras: unir os clubes, e não individualizar ainda mais as negociações, como era proposto na MP que caducou nesta semana. Se o atual governo, que tanto preza pelo liberalismo econômico, quer interferir na indústria do esporte, então a lei tem que exigir a conversa em conjunto, como liga. A interferência vale apenas para fortalecer todo um negócio, jamais para torná-lo ainda mais frágil.

Não seria nenhuma novidade. Em 2015, para dar maior sustentabilidade a um mercado fundamental na economia do país, a Espanha fez a negociação em conjunto das equipes virar lei, e os direitos passaram a ser da LaLiga. Como consequência, no ano seguinte, a diferença entre o que mais ganhava para o que menos ganhava passou de 8 vezes para menos de 4 vezes.

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Chegou a ser quase cômico clubes menores que defenderam o modelo proposto pela MP, fracassado em diversos mercados, como solução para o futebol brasileiro. Mas o delírio já passou. Agora é hora de todos os agentes do mercado se sentarem à mesa e terem uma conversa mais séria sobre o assunto.

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