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Opinião / Opinião

Na briga com Globo, Athletico perde mais

Duda Lopes Publicado em 28/10/2020, às 14h39

Imagem Na briga com Globo, Athletico perde mais

modelo, especialmente quando age no limite da legalidade, o clube fica em uma situação desvantajosa em curto prazo. O Athletico hoje tem jogos no 'limbo' da TV, que perde muito em visibilidade. O sistema de PPV próprio gera uma quantia que não é aberta, mas que dificilmente chega aos ganhos de outros clubes com o Premiere da Globo. Até mesmo o apelo com sócios-torcedores, argumento válido durante a pandemia, perde o valor quando os estádios forem abertos, e os ingressos valerem muito mais. 


Em longo prazo, é muito possível que esses esforços tenham que ser colocados em segundo plano; é difícil enxergar a manutenção do atual modelo, com negociações individuais, nos próximos anos. A própria queda da MP, recusada no Congresso, é um claro sinal de que a discussão passará para outro lado, com uma união de clubes, mesmo que forçada por lei.

O Athletico Paranaense tomou um caminho que outros clubes do Brasil também têm visto como algo sustentável: entrar em linha de frente com seu maior parceiro comercial, a Rede Globo. Nesse caso, com um posicionamento que pode ser facilmente entendido como pirataria, um caso extremo de rompimento. A legalidade do processo será avaliada na Justiça, ainda que, em uma visão pessoal, seja difícil entender como uma Medida Provisória caducada pode ter o mesmo peso de uma lei extinta. 


O Athletico, claro, não faz por birra contra a Globo, mas por acreditar que pulverizar as transmissões de seus jogos pode gerar um modelo de distribuição mais lucrativo em longo prazo. O clube mantém, então, modelos diferentes para a TV aberta, com a própria Globo, para a TV fechada, com a Turner, e para o pay-per-view, com uma plataforma própria criada para a internet.

Não dá para dizer que as decisões do Athletico foram em vão porque esse tipo de medida tem reforçado a necessidade de negociação por um novo modelo. Até mesmo os argumentos estapafúrdios do grupo criado para pressionar pela Lei do Mandante explicitaram a necessidade de um debate de nível mais alto, mais profissionalizado e mais alinhado às melhores práticas internacionais. 


Hoje, o Athletico mira uma revolução, mas, sob o argumento do "tá tudo errado", anda em linhas tortas. O clube perde dinheiro em curto prazo e, desse jeito, perderá protagonismo no futuro bastidor do futebol brasileiro.