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Opinião / Opinião

O esporte tem muito a ensinar

Arthur Borelli - CEO Think Sports Publicado em 11/12/2020, às 11h21

O mundo não pára. São mudanças, evoluções, ensinamentos e aprendizados constantes. E o esporte, tão presente em nosso dia a dia, é um campo rico em histórias, momentos marcantes e emblemáticos, e mostra que as coisas podem ser muito mais simples, que pequenos movimentos podem promover grandes transformações. Gestos, atos, palavras, atitudes ou posturas... momentos eternizados.

Falando de momentos eternos é impossível não citar temáticas sociais. Como Jesse Owens, que conquistou quatro medalhas de ouro olímpicas em 1936 na ‘Berlim de Hitler’. Ou de Tommie Smith e John Carlos levando a saudação dos ‘Panteras Negras’ ao pódio no México (1968), na manifestação contra o racismo impulsionada pelas mortes de Malcolm X e Martin Luther King, símbolos na luta pelos direitos dos negros. Punhos cerrados, cabeças baixas... Épico.

O que falar do histórico boicote a Moscou-1980 de mais de 60 países - iniciado pelos EUA - em razão da Guerra Fria? Quatro anos depois, o bloco comunista decidiu não ir a Los Angeles. Quem lembra das muçulmanas estreando em Olimpíadas (2012)? Ou da delegação de refugiados que emocionou o mundo no Rio-2016?

Pelé parou uma guerra. Mandela uniu a África do Sul pelo esporte. As Coréias (Sul e Norte) desfilaram juntas nas Olimpíadas de Inverno (2018). Colin Kaepernick virou símbolo do combate ao racismo na NFL. E há muitos, muitos outros exemplos...

Exemplos que nos mostram que o esporte vai ‘muito além do esporte’. Temos visto movimentos fortes, como o futebol feminino buscando igualdade, como o Black Lives Matter, potencializado pela NBA, e como a postura de PSG e Istanbul, esta semana, deixando o campo na Liga dos Campeões, em repulsa à atitude racista de um árbitro.

Triste reconhecer que evoluímos pouco (ou quase nada) em mais de 100 anos em relação a negros e mulheres. Este é um assunto recorrente, atravessa gerações sem solução. Estamos na expectativa para que o mundo volte a ser saudável, livre do COVID-19, e na expectativa também pelos Jogos de Tóquio.

Todos precisamos agir, lutar para que isso não seja esquecido, para que um episódio não encubra outros. Que possamos aprender pensando nas próximas gerações, para que as diferenças sejam respeitadas. Que no Japão, os anéis que simbolizam a união dos povos, prevaleça o espírito olímpico, façam ecoar para o mundo os valores de paz, amizade e respeito. O esporte é inspirador. O esporte tem muito a ensinar.