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Opinião / Luis Ferrari

Opinião: 2021, ano de retomada nas pistas

Do meio para o fim do ano, com público presente, o esporte a motor mostrou a força de sua tradição

Luis Ferrari, especial para a Máquina do Esporte Publicado em 20/12/2021, às 08h05

Promotores de corridas no Brasil e no exterior mostraram ter tirado lições do ano anterior, entregando espetáculos memoráveis - Reprodução / Governo do Estado de São Paulo
Promotores de corridas no Brasil e no exterior mostraram ter tirado lições do ano anterior, entregando espetáculos memoráveis - Reprodução / Governo do Estado de São Paulo

O épico desfecho da melhor temporada de F1 dos últimos anos simbolizou perfeitamente o que 2021 representou para o universo do esporte a motor no Brasil e no mundo. Foi o ano da retomada.

Depois de um 2020 amargurado pelas restrições da pandemia, a temporada atual teve seu início ainda sob impacto da Covid-19. Rapidamente, no entanto, os promotores de corridas no Brasil e no exterior mostraram ter tirado lições do ano anterior, pautado pela resiliência, entregando espetáculos memoráveis. Do meio para o fim do ano, com público presente, o esporte a motor mostrou a força de sua tradição para se reinventar e atrair novas audiências.

Começando pela F1, vale lembrar uma frase dita e repetida ao longo do ano: “Antigamente, o hábito de ver corrida de F1 era incutido de pai para filho. Com a disputa deste ano entre Hamilton e Verstappen, são os filhos quem estão convidando seus pais para voltarem a acompanhar as provas”.

Não foi só no caso da categoria rainha.

A Fórmula E estabeleceu novos recordes de audiência no Brasil e no mundo. A Indycar voltou à TV aberta também na TV Cultura. E experimentamos o lançamento de novos produtos, com a Extreme E e o TCR South America, ambos com os campeonatos encerrados neste domingo (19) de forma emocionante e prometendo ainda mais no futuro.

Ainda no offroad, menção honrosa para o Rally do Sertões. Desde a troca do controle acionário do maior evento 4x4 das Américas, a entrega tem sido mais robusta a cada temporada. E a edição 2022, anunciada do Oiapoque ao Chuí em virtude dos 200 anos de Independência do Brasil, promete demais.

Outra que passou por troca de comando foi a Stock Car, também com resultados importantes. O campeonato 2021 empolgou e o próximo anima ainda mais, com as promessas de retorno a mercados importantes como Rio de Janeiro, com a inovadora corrida no Galeão, e Brasília.

Ainda chamam atenção a promessa de revitalizar a Stock Light, que passa a se chamar Stock Series, e o lançamento da F4 Brasil.

O país tem cultura e mercado para corridas e, mesmo tendo sido privado de receber pela primeira vez o Mundial de Kart em uma nebulosa manobra política da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), entregou no último fim de semana o maior campeonato nacional da modalidade, com quase 600 participantes. Não por acaso, Rafael Câmara, o melhor kartista brasileiro na temporada e um dos melhores do mundo em 2021, foi recrutado pelo programa de desenvolvimento de pilotos da Ferrari para fazer sua transição aos monopostos em 2022.

Outro reflexo da força do mercado brasileiro foi visto no GP São Paulo de F1, fim de semana marcado por um verdadeiro show de Lewis Hamilton com sua Merecedes que aparentava competir com um motor supersônico. O Autódromo de Interlagos completamente lotado nos três dias e a formidável procura pelos ingressos de arquibancadas para 2022 falam por si só, mesmo considerando o preço das entradas diante do combalido poder aquisitivo do torcedor.

Ainda no tema GP de São Paulo merece destaque a ação que considero o melhor projeto de marketing da temporada. Novamente exibindo seu poder de inovação, a Porsche Cup promoveu sua primeira All-Star Race, uma competição em duplas valendo nada mais nada menos que um Porsche zero quilômetro. Parceira de primeira hora da categoria, a Oakberry adquiriu os naming rights e soube ativar com o ineditismo e arrojo que lhe são característicos. Com os pilotos convidados largando em condições distintas de lastro e pneus novos, o stint final em Interlagos foi eletrizante do início ao fim.

Agora é hora de agitar o pano quadriculado e esperar a volta de consagração, antes da champanhe do fim do ano.

2022 promete demais, e o mercado do esporte a motor estará pronto para se reinventar novamente.

Luis Ferrari é sócio-fundador da Ferrari Promo, agência-boutique especializada em relações públicas no esporte a motor, e escreve mensalmente na Máquina do Esporte