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Opinião / Rosana Fortes

Opinião: A bicicleta como meio de transporte: o que falta para eu aderir à magrela de vez

Rosana Fortes, especial para a Máquina do Esporte Publicado em 06/05/2021, às 02h35

Imagem Opinião: A bicicleta como meio de transporte: o que falta para eu aderir à magrela de vez

Passei a vida entre o Rio e São Paulo, duas grandes cidades, que têm grandes desafios de mobilidade urbana. No Rio, sempre fui adepta ao transporte público (ônibus e metrô), mesmo mantendo um carro na garagem. Chegando em São Paulo e com filhos pequenos, procurei ter uma "vida de bairro", fazendo tudo em distâncias possíveis da minha casa e sem a necessidade de dirigir. Mas o carro permanecia estacionado para a ida ao trabalho, viagens e locomoção com as crianças.

De uns anos pra cá, fui fisgada pela vontade de pedalar pela cidade. Ter a experiência de usar a bike para locomoção e não somente para o esporte. Com certeza por influência do trabalho e dos meus pares que vivem fora do Brasil, que fazem absolutamente tudo em cima de duas rodas (e um guidão). É inspirador ver os amigos levando os filhos e indo trabalhar de bicicleta, se sentido completamente seguros e respeitados no trânsito.

Comprei então a minha primeira bicicleta na tentativa de me tornar uma boa ciclista e ter um esporte "B" que completasse a minha vida de corredora. Me equipei toda e descobri que o mundo da bike pode ser sinônimo de "gastos infinitos". A mesma bike que eu usaria para os treinos poderia ser também um bela aliada no desejo de aposentar o carro.

Aí chegaram os medos e desafios. A cada acidente que eu ouvia falar, a minha vontade de estrear o novo meio de transporte na cidade se afastava. Ruas esburacadas, muitos trechos ainda sem ciclovias e ciclofaixas adequadas, falta de respeito dos motoristas, aliados a minha pouca experiência, pesaram bastante. Ingredientes que juntos e misturados poderiam não ser uma boa ideia.

O Strava Metro tem sido usado para auxiliar na discussão da mobilidade urbana nos grandes centros
Divulgação

Adiei a minha estréia pelas ruas paulistanas e, no lugar, tenho feito pedais na recente (re)inaugurada ciclovia Rio Pinheiros, a Ciclo Capivara, para os mais íntimos, local sem carros, onde me sinto extremamente segura e protegida.

Também tenho, através do meu trabalho, tentando cada vez mais contribuir nos grupos de discussões (e ações) sobre como podemos acelerar dois dos vários importantes pontos que envolvem o tema mobilidade urbana: a insegurança para quem opta por usar bicicletas como principal meio de locomoção e a conscientização dos ciclistas e pedestres sobre educação no trânsito.

E, tudo isso, aliado a um importante produto que o Strava tornou gratuito nos últimos meses, oStrava Metro.

O Strava Metro contribui com mais de 300 cidades em todo o mundo para melhorar a infraestrutura para pedestres e ciclistas, com base em informações do maior conjunto de dados anônimos e agregados sobre transporte ativo do mundo. A plataforma oferece excelentes insights e permite que qualquer pessoa trabalhando com planejamento de transporte, independentemente de sua formação técnica, obtenha respostas para perguntas como: quais são as rotas de ciclistas mais populares de uma cidade? Como o deslocamento ativo mudou em relação aos anos anteriores? Quais partes da cidade estão atualmente mais bem conectadas à infraestrutura de transporte existente? Entre muitas outras.

Entre meus planos está disseminar essa ferramenta poderosa, fechar parcerias com organizações, cidades e secretarias de transportes que estejam empenhadas em investir em projetos focados na mobilidade urbana. E, quem sabe, tomar coragem e em breve desbravar as ruas que me cercam.


Rosana Fortes é country manager do Strava no Brasil e escreve mensalmente na Máquina do Esporte