Opinião

Opinião: A divisão de receitas é o presente dos direitos de transmissão

por Erich Beting
A
A
Do jeito que as coisas vão, apenas Copa do Mundo e Jogos Olímpicos não precisarão adotar esse tipo de negócio em pelo menos um mercado em que atue
Crédito: Reprodução
Do jeito que as coisas vão, apenas Copa do Mundo e Jogos Olímpicos não precisarão adotar esse tipo de negócio em pelo menos um mercado em que atue
publicidade

Em julho de 2020, durante o World Football Summit Live, Luis Vicente, CEO do Eleven Group, plataforma de streaming que pouco tempo depois anunciou a compra do Mycujoo, deu uma declaração interessante num painel em que se debatia o futuro do mercado de direitos de mídia.

Na ocasião, o executivo afirmou que acreditava que a pandemia do coronavírus aceleraria uma situação que começava a se mostrar em alguns mercados. Em vez de assumirem todos os riscos, as empresas de mídia passariam a adotar um modelo híbrido de negociação de direitos. Não iriam mais pagar um valor fixo alto para as entidades esportivas e detentores dos direitos, mas adotar um modelo em que o mínimo garantido seria menor, e os lucros da operação seriam divididos entre ambos.

publicidade

Pouco mais de um mês depois dessa ponderação de Luis Vicente, o DAZN e a J-League anunciaram um acordo de sociedade. A plataforma de streaming ampliou até 2028 o acordo com a liga japonesa de futebol. Vai garantir um fixo de US$ 2,1 bilhões por 15 anos de contrato, mais um percentual conforme o crescimento do DAZN no mercado asiático. Antes, pagava US$ 1,9 bilhão por dez anos de acordo.

Nos próximos dias, Band e Liberty Media devem oficializar o acordo para os direitos de transmissão da Fórmula 1 no Brasil. Para tornar o negócio viável, a Liberty aceitou reduzir a verba fixa e apostar na divisão de parte das receitas comerciais da Band. Como revelado pela Máquina do Esporte, a empresa preferiu adotar o modelo em que corre mais riscos para ter a certeza de que a F-1 passará na TV aberta, já que a Globo negociava os direitos dando prioridade às transmissões no Sportv.

O que difere o negócio da F-1 dos demais existentes no país atualmente é que, pela primeira vez, um evento de maior porte e sem ser transmitido pelo streaming ganha esse novo modelo de negócios. Antes, diversas entidades esportivas já adotaram o sistema de divisão de receitas com os parceiros de mídia. Mas nenhuma do porte de uma F-1.

publicidade

Sinal dos tempos. E a certeza de que, no novo normal pós-Covid, o cinto estará sempre mais apertado. Há pelo menos 30 anos que o mercado de mídia andava superaquecido, primeiro com a entrada da internet, depois pelo streaming. Agora, a tendência é de que os ganhos fixos das entidades esportivas diminuam, em detrimento de um novo modelo, mais racional e menos arriscado para as empresas de mídia.

Do jeito que as coisas vão, apenas Copa do Mundo e Jogos Olímpicos não precisarão adotar esse tipo de negócio em pelo menos um mercado em que atue. A realidade já se faz presente. Para manter em alta os ganhos com a mídia, o esporte precisará, cada vez mais, se tornar sócio das emissoras.

publicidade

Futebol inicia pressão por nova paralisação