Opinião

Opinião: Após 15 anos, arbitragem ainda assombra imagem do Brasileirão

por Redação
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Há 15 anos, o time do Internacional dava uma volta em torno do gramado do velho Beira-Rio para celebrar o título de campeão simbólico do Brasileirão 2005. O time alegava ter sido prejudicado pelo cancelamento de jogos em que houve, comprovadamente, corrupção na arbitragem. O coro ganhou força após um grave erro cometido no jogo entre a equipe e o Corinthians, campeão daquele ano.

No Brasileirão de 2020, o Inter foi “surrupiado” pela arbitragem, segundo as palavras usadas pelo vice-presidente de futebol da equipe, João Patrício Hermann. O motivo foi a justa expulsão de Rodinei, em revolta que sucedeu os pedidos de cancelamento de partida feito pelo Vasco, contra o mesmo Inter, após uma bizarra falha do VAR.

Ou seja, 15 anos se passaram e a arbitragem do Brasileirão permanece um caos, que fomenta reclamações excessivas e faz das rodadas decisivas um festival de discussões vazias. E o histórico é longo: é difícil encontrar uma edição do torneio nacional que não tenha tido pelo menos uma grande polêmica de arbitragem. É verdade que em todo mundo isso acontece, mas claramente no Brasil a briga vai muito além do razoável.

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Diretoria do Inter reclamou bastante da arbitragem de jogo contra o Flamengo (Foto: Internacional.com.br)
Diretoria do Inter reclamou bastante da arbitragem de jogo contra o Flamengo (Foto: Internacional.com.br)
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Assim como a Copa João Havelange deveria ter sido um marco para a organização do futebol brasileiro, a “Máfia do Apito” de 2005 deveria ter sido um momento de ruptura com o modo de fazer arbitragem no Brasil. Mas, como tantas outras, foram oportunidades perdidas.

Hoje, a arbitragem do futebol brasileiro ainda passa longe do profissionalismo esperado. Não é incomum, na principal divisão do país, a presença de árbitros fora de forma, de grosserias inacreditáveis, de súmulas estranhas, de total falta de critério. Algo que uma organização profissionalizada poderia sanar.

Grande parte dos problemas poderia ir embora com um pouco mais de transparência. Árbitros não dão entrevista e ninguém sabe o que se fala nos bastidores. A postura irrita, os critérios se misturam. Muitas vezes, mídia e torcedores ficam sem entender o que se passa. Tudo porque quem cuida da área parece mais interessado em proteger os árbitros, e não mudar as velhas práticas.

Discussão de arbitragem não é só um problema esportivo. Ela é uma constante mancha na imagem da competição. Ela traz desconfiança e afastas torcedores e marcas. Tirar o protagonismo dos árbitros é uma questão urgente para o futebol brasileiro.

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