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Opinião / Duda Lopes

Opinião: Argumentos são irrisórios, e FPF envergonha o esporte

Duda Lopes Publicado em 12/03/2021, às 02h14

Imagem Opinião: Argumentos são irrisórios, e FPF envergonha o esporte

Há alguns argumentos razoáveis para se defender a manutenção de um esporte. Em um ambiente altamente controlado, pode-se manter uma atividade econômica significativa que, diferentemente de algumas outras, pode entrar em colapso caso pare. Nesse sentido, mesmo que simbolicamente seja agressivo, pode-se ter o esporte em meio a uma pandemia. Aconteceu, de forma muito funcional, com a NBA em 2020. Houve jogos, com zero caso de contaminação.

Mas o cenário do futebol de São Paulo é completamente diferente.

O Governo do Estado aplicou a medida que parece mais razoável em um momento de crise extrema e resolveu parar o futebol. A Federação Paulista é contrária à decisão e parece ir até onde puder para reverter o cenário. Quer um novo diálogo e cogita até levar as partidas para o Rio de Janeiro.

Há um problema central na posição da FPF: um dos argumentos para a manutenção do futebol é completamente estapafúrdio. A entidade alega que o Paulistão segue o “rigoroso Protocolo de Saúde da competição”. Regras como exigência de testagem, zoneamento das arenas, limpeza, distanciamento social e controle de entrada de todos os profissionais envolvidos (veja aqui o protocolo completo). Algo eficiente no dia do jogo, mas não para qualquer outro momento dos jogadores.

A FPF também lembra o papel social exercido pela entidade no combate ao Covid-19, a responsabilidade exercida desde o início da pandemia e ainda lembra que, em grandes mercados europeus, os protocolos foram suficientes para manter o futebol em atividade mesmo na segunda onda de contaminação.

Nas redes sociais, FPF propaga que Paulistão é seguro, mas casos de contaminação mostram o contrário (Foto: Reprodução/Instagram)

Mas quis o destino que logo no início do Paulistão de 2021 o time de maior torcida do Estado tenha vivido uma situação que explicita o quanto que o tal protocolo de saúde é completamente inútil fora das arenas. O Corinthians chegou nesta semana a 12 atletas afastados por testarem positivo para o Covid-19, além de 11 membros da comissão técnica. O último teste positivo foi com o volante Roni, que esteve em campo no último domingo (7).Os casos se repetem entre as diversas equipes e mostram que o futebol não só não é um ambiente seguro, como é um propagador do vírus.

Claro que a FPF pode alegar que o que acontece além do evento de seus eventos não está sob sua responsabilidade, o que é verdade. Mas, na prática, isso não faz diferença.

Ao refutar a paralisação do esporte sem nem ao menos sugerir uma solução mais segura, a FPF mostra um inacreditável ‘vale-tudo’ pelos seus próprios interesses. Passa por cima não só das 270 mil vítimas fatais no Brasil, mas também das vítimas diretas dentro do futebol. Ou será que a entidade já se esqueceu do falecimento do técnico Marcelo Veiga, que testou positivo para o Covid-19 dois dias depois de sua equipe entrar em campo pela Copa Paulista?

A cereja do bolo é a tentativa de jogar no Rio de Janeiro, o que imporia mais viagens às equipes e tem tudo para piorar ainda mais a situação. É aquela hipótese que todos torciam para ser apenas um boato, até ser confirmada pelo presidente da federação, Reinaldo Carneiro Bastos.

Reinaldo Carneiro Bastos, por sinal, chegou à presidência da FPF com a promessa de fazer uma gestão diferente de seus antecessores. Mas, hoje, sua posição envergonha todo o esporte nacional.