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Opinião / Reginaldo Diniz

Opinião: Atletas de alto nível: marca ou produto do seu esporte?

Reginaldo Diniz, especial para a Máquina do Esporte Publicado em 16/08/2021, às 10h29

O interminável mês de agosto parece estar reservando bons bastidores para quem gosta de esporte. Além de uma excelente colocação da delegação brasileira nos Jogos Olímpicos de Tóquio - em partes pela inclusão do surfe e do skate na programação -, temos também a inacreditável saída de Messi do Barcelona. O improvável aconteceu, e agora fica aquela dúvida: será que essa movimentação trará mais torcedores para o PSG? O fã gosta do jogador ou do time? O Messi é uma marca ou um produto do futebol?

Quando penso na situação dele, é impossível não lembrar de Cristiano Ronaldo. O português já defendeu diversos clubes e atrai multidões por onde passa. Apenas em sua primeira temporada com a Juventus (2018/2019), o time vendeu mais de um milhão de camisas do craque, um faturamento bruto de € 170 milhões. Isso sem contar os seguidores nas redes sociais, adicionando 38 milhões! Agora me diga: você acha mesmo que todas essas pessoas que compraram o produto ou seguiram o perfil da Velha Senhora eram torcedores da Juve ou fãs do CR7?

Um outro exemplo de como um jogador potencializa um time veio durante a pandemia, com o lançamento do documentário “The Last Dance”, na Netflix, sobre a lenda Michael Jordan e seu sexto título na NBA. O até então “esquecido” Chicago Bulls aumentou a venda de produtos em 650% no Brasil, um reflexo direto da série. Imagino que muitos dos compradores nem sequer jogam basquete, mas se identificam com o personagem e o que ele representa.

Jordan também merece ser lembrado por ser um dos primeiros atletas a ter uma marca pessoal, a Air Jordan. O documentário “One Man and His Shoes”, lançado no ano passado, conta um pouco dessa trajetória, iniciada em 1984, quando a Nike resolveu investir em um garoto ao invés de um time, algo incomum na época. Tênis preto, branco e vermelho? Nem pensar! A NBA só permitia calçados na cor branca, e a cada multa de US$ 5 mil por jogo que ele recebia, mais as vendas bombavam. Ah, e continuam até hoje, pois só no ano anterior ao filme o faturamento da Nike com o calçado passou de US$ 3 bilhões!

Voltando ao Messi, o argentino curiosamente também lançou sua própria marca de roupas há dois anos. O que torna seu caso diferente é o fato de defender um único clube por toda a carreira, lembrando que Jordan também jogou pelo Washington Wizards na NBA. Será que os fãs seguirão Messi em sua trajetória para o PSG ou continuarão torcendo pelo Barcelona? Bem, só na semana do anúncio, o PSG ganhou 5 milhões de seguidores no Instagram e 1 milhão no Twitter, o canal da Ligue 1 em português cresceu 30% e a busca pela camisa do clube no Brasil aumentou 100% em sites on-line.

E agora: Messi é uma marca ou um produto do seu esporte? Na minha opinião, todo jogador surge como um subproduto do produto futebol. Porém, quando alcança um alto nível de performance, ele ultrapassa todos esses níveis, tornando-se uma marca maior do que qualquer clube que represente, como CR7, o próprio Messi e Jordan no basquete.

O que você pensa sobre o assunto? Até a próxima!

Reginaldo Diniz é cofundador e CEO do Grupo End to End e escreve mensalmente na Máquina do Esporte