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Opinião / Erich Beting

Opinião: Atletas precisam entender qual é o poder de mídia deles

Ronaldo e Neymar anunciaram novos projetos, mas até onde o atleta brasileiro entendeu para que serve a mídia?

Erich Beting - São Paulo (SP) Publicado em 25/11/2021, às 08h18 - Atualizado às 08h20

Documentário sobre os bastidores da vida de Neymar foi lançado no canal da NR Sports nesta semana - Divulgação / NR Sports
Documentário sobre os bastidores da vida de Neymar foi lançado no canal da NR Sports nesta semana - Divulgação / NR Sports

A criação da Ronaldo TV na Twitch e o lançamento de um documentário sobre os bastidores da família de Neymar dentro do canal da NR Sports no YouTube mostram um caminho, ainda tímido, que os atletas brasileiros poderiam cada vez mais buscar para falar diretamente com o fã.

Algo que culturalmente está mais bem estabelecido no mercado asiático, o atleta produtor de conteúdo é uma tendência cada vez maior. Não precisamos, aqui, abordar alguns extremos, como o jogador de críquete indiano que só dá entrevista em seu próprio canal no YouTube (e fatura bastante com isso). Mas o fato é que o atleta pode, cada vez mais, usar o seu poder de mídia para produzir conteúdos exclusivos e proprietários que gerem negócios paralelos a ele.

Nas últimas semanas, a Star+ colocou em sua grade um documentário sobre Tom Brady. Pouco antes dos Jogos Olímpicos de Tóquio, o Facebook levou ao ar uma série sobre Simone Biles, em que a saúde mental da ginasta americana era abordada de forma ainda superficial.

Acostumados a faturar milhões em contratos publicitários e salários, os grandes atletas não costumam olhar para a produção de conteúdo como uma fonte de receita. Até aí, tudo bem. Só que o maior poder que isso pode dar ao atleta não é o dinheiro de curto prazo, mas a sustentabilidade de sua marca no médio e no longo prazos.

A criação da Ronaldo TV na Twitch é um exemplo. Ronaldo é um ídolo para nós, que estamos na faixa entre 25 e 50 anos de idade. Mas, para o jovem, ele é apenas um ex-jogador que nossos familiares admiram e do qual contam grandes histórias que, benzadeus, podem ser vistas no YouTube. Não existe qualquer ponto de conexão dele com esse público. Ao criar um canal em uma plataforma jovem, falando de coisas que os jovens curtem e trazendo outras coisas da realidade deles, Ronaldo consegue rejuvenescer sua imagem. Assim, aproxima-se de um público novo dentro do ambiente em que esse público se sente confortável.

É, mais ou menos, o que o Instituto Ayrton Senna faz com maestria em relação à imagem de seu fundador. O personagem Senninha, inserido em animações que passam na Netflix e em canais infantis, além de comercializado em diversas lojas por meio de produtos licenciados, trazem a imagem do piloto tricampeão mundial de Fórmula 1 para um público que nem era nascido quando ele já tinha morrido.

A gestão de marca dos atletas passa, necessariamente, por sua aparição na mídia. Mas, hoje, o esportista tem um benefício, que é o de desenvolver canais próprios de comunicação que o aproxime do público final e, mais do que isso, que gere negócios mais sólidos para sua marca.

Os atletas brasileiros precisam acordar para essa realidade para garantir que suas marcas sejam muito menos dependentes em relação ao que acontece dentro das competições. Rebeca Andrade, Rayssa Leal e vários outros novos ídolos deveriam olhar, desde já, para isso. Seria o caminho mais curto para garantir uma aposentadoria tranquila.