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Opinião / Surfe que vale ouro

Opinião: Au 24K

É essencial aproveitar a ótima fase do surfe nacional para disseminar a prática de forma estruturada

Álvaro Cotta, especial para a Máquina do Esporte Publicado em 16/09/2021, às 09h05

Gabriel Medina se tornou tricampeão mundial de surfe em 2021 - Reprodução
Gabriel Medina se tornou tricampeão mundial de surfe em 2021 - Reprodução

O processo de levigação resulta na separação de misturas heterogêneas entre sólidos granulares. Essa atividade é muito comum nos garimpos manuais de ouro, quando a água é utilizada para separá-lo de outros elementos. As partículas de ouro são mais densas e se destacam nas bacias ou peneiras, sendo assim encontradas pelos garimpeiros.

O Brasil extrapolou as fronteiras da atividade do garimpo manual, utilizando a técnica nas águas salgadas com o esporte nacional: nos últimos anos, pepitas de ouro foram descobertas no surfe brasileiro. Desde 2014, o país conquistou cinco títulos mundiais da World Surf League (WSL) (três com Gabriel Medina, um com Adriano de Souza e um com Ítalo Ferreira) e ainda a medalha de ouro olímpica (com Ítalo Ferreira). Com Filipe Toledo, Yago Dora e Deivid Silva, entre outros, formou-se um grupo de elite da modalidade no mundo.

Historicamente, o esporte brasileiro tem sido agraciado com talentos extraordinários. Além do futebol, o automobilismo, o tênis, o basquete, o vôlei e a natação tiveram ídolos que alavancaram o interesse e a popularidade no grande público. Nem sempre, no entanto, o país soube aproveitar esses momentos para construir um legado vitorioso.

Para citar alguns exemplos, Ayrton Senna elevou o patamar do interesse pela Fórmula 1 no Brasil e abriu caminhos para outros pilotos na categoria. Gustavo Kuerten, o Guga, transformou o tênis em um esporte popular. Paula e Hortência rivalizaram e construíram uma história de sucesso mundial no basquete feminino. A geração de prata do vôlei masculino em Los Angeles 1984 iniciou uma era de excelência mundial, criando ídolos e despertando o orgulho nacional para o esporte. E a natação, com Gustavo Borges, Fernando Scherer e Cesar Cielo, teve ícones de gerações nas piscinas brasileiras.

Exceto pelo vôlei, os outros movimentos acima tiveram legados limitados devido à falta de um trabalho para disseminar a prática de forma estruturada, para identificar e formar jovens talentos e para promover novos atletas brasileiros ao topo do ranking dessas modalidades.

Agora, chegou a vez do surfe. Essa onda continuará crescendo nos próximos anos e, provavelmente, demorará a quebrar antes que nossos atletas terminem de executar suas manobras.

Um novo ciclo olímpico acaba de começar para o surfe. E até 2024, em Paris, os atletas brasileiros têm grande possibilidade de manter o domínio do ranking mundial. Seja como for, as pepitas de ouro do surfe nacional continuarão reluzindo nas competições internacionais por vários anos. Bom para a modalidade e melhor ainda para o Brasil, que possui Ivan Martinho, executivo brasileiro de destaque da gestão esportiva, na função de CEO da WSL para a América Latina.

Com talentos dentro e fora da água, a modalidade terá ótimas oportunidades de crescimento.

O ouro do surfe brasileiro é de 24 quilates!

Álvaro Cotta é diretor comercial da Liga Nacional de Basquete (LNB) e escreve mensalmente na Máquina do Esporte