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Opinião / Luis Ferrari

Opinião: Boas novidades, mesmo sem público nas pistas do Brasil

Luis Ferrari, especial para a Máquina do Esporte Publicado em 22/06/2021, às 09h00

Imagem Opinião: Boas novidades, mesmo sem público nas pistas do Brasil

O fim de semana teve grandes corridas pelas principais categorias do planeta: F1 na França, Indycar em Road America, Nascar em Nashville (com todos os ingressos vendidos) e Fórmula E em Puebla (México). Todas tiveram público nas arquibancadas.

Ainda que padecendo de eventos de portões fechados destinados apenas para a TV em razão do atraso brasileiro no combate à pandemia, a cena do esporte a motor nacional tem boas novidades para comemorar.

A despeito de todas as dificuldades do momento pandêmico e da desvalorização da nossa moeda frente a euro e dólar, a paixão de pilotos, chefes de equipe e patrocinadores entusiasmados fazem novos projetos de esporte a motor florescerem na região.

No próximo fim de semana, estreia em Interlagos o TCR South America. Com ingredientes para um dia se tornar “A Libertadores da América do Asfalto”, o novo campeonato sul-americano é uma franquia regional do modelo TCR internacionalmente consagrado.

Destinado para versões de competição de carros de tração dianteira do segmento C, o evento reúne em seus mais de 30 campeonatos pelo mundo mais de 15 montadoras. Como o regulamento é padronizado para todo o planeta, o mesmo carro que disputa corridas na China ou Escandinávia pode correr nas pistas do Brasil e Argentina a partir deste ano. Não por acaso, foram vendidos mais de mil carros com essa especificação desde o lançamento do conceito TCR, que rapidamente se expandiu para todo o mundo. As exceções eram América do Sul e África.

A partir deste domingo (27), nossa região entra no mapa.

Toyota é uma das montadoras que fará parte do TCR South America
Divulgação

São esperados 12 carros na corrida inaugural, que terá transmissão ao vivo dos canais ESPN e Fox Sports.

Corridas de carros de tração dianteira no Brasil têm larga tradição e formam a base do nosso automobilismo de turismo, com os chamados “Regionais de Marcas”. Esses campeonatos já tiveram a dimensão nacional, com a antiga Copa Shell de Marcas e Pilotos inclusive rivalizando em popularidade com a Stock Car nos anos 1980 e 1990.

Entre 2011 e 2018 a Vicar (empresa promotora da Stock Car Pro Series) relançou o conceito de um campeonato entre diversas montadoras cujo slogan alardeava corridas “o seu carro das ruas”. As primeiras temporadas foram empolgantes, com TV aberta ao vivo (Band), Petrobras dona dos naming rights e os pilotos mais populares do Brasil competindo.

Eventualmente, porém, foi necessário fundir o calendário do campeonato de Marcas ao da Stock Car e a categoria minguou, já que as maiores estrelas foram obrigadas a priorizar a categoria mais tradicional. O Marcas virou evento-suporte e perdeu seu diferencial, concorrendo com a Stock Light dentro do mesmo evento até acabar.

Agora com caráter internacional, chance de propiciar a pilotos e patrocinadores elos com montadoras e a real oportunidade de projetar os protagonistas dentro do globalizado universo TCR, as corridas de carros de tração dianteira podem ressurgir com força no Brasil.

Outra disciplina que tem uma semana decisiva pela frente para emergir de forma promissora é a F4 Brasil.

A pauta “por que o Brasil não tem mais piloto na F1?” é sempre levantada pelo torcedor médio, aquele que curte automobilismo sem ser um especialista no assunto. É uma circunstância que passa por diversos fatores, muitos deles econômicos, mas sem dúvida um ponto relevante é a inexistência de uma categoria sólida de fórmula no Brasil.

Atualmente, o piloto brasileiro em busca de perseguir o sonho da F1 é forçado a partir do kart diretamente para a Europa. Ainda adolescentes, precisam se adaptar à realidade de um país novo e superar o choque cultural para se desenvolver no esporte.

Raros são os casos como o do prodígio pernambucano Rafa Câmara, hoje o melhor kartista do mundo na categoria OK (equivalente à brasileira Graduados). O competidor de 16 anos de idade tem patrocínio da Oak Racing Team e o respaldo dos pais morando na Itália com ele, acompanhando-o nas competições e provendo todo suporte que um jovem necessita nessa fase da vida.

Outros são obrigados a partir para a aventura europeia muito jovens e sozinhos, aumentando a dificuldade em conciliar as demandas do dia a dia aos altíssimos níveis de exigência do automobilismo profissional. No processo, acabam agregando o custo de vida na Europa ao caríssimo running cost, demandando ainda mais do “paitrocínio”.

Com a F4 Brasil, parte desse gargalo pode ser endereçado.

Um grupo de pais de pilotos se organiza para viabilizar a categoria. Ela deverá ser promovida pela Vicar, que acena com a realização do campeonato sem expectativa de receita adicional, apenas com o intuito de fomentar o esporte – da mesma forma como a Porsche Cup recebeu corridas da finada F3 Brasil em 2017, ano de sua última temporada.

Nesta semana, em conjunto com a Vicar, o grupo de trabalho da F4 pode dar novas cores para a categoria. A pauta é extensa e um ponto central será o investimento de € 1,7 milhão para a importação dos 16 carros para formar o grid.

Luis Ferrari é sócio-fundador da Ferrari Promo, agência-boutique especializada em RP no esporte a motor, e escreve mensalmente na Máquina do Esporte